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Correio Braziliense

Carlos Minc espera confirmação

 


postado em 14/05/2008 09:19 / atualizado em 14/05/2008 12:07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitounesta terça-feira (13/05) à noite pedido de demissão “em caráter pessoal e irrevogável” apresentado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Antes mesmo de ler a carta na qual a auxiliar listou as razões para deixar o governo, Lula telefonou ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e avisou que pensava em convidar o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, para o posto. “Deixe o Minc de prontidão que eu posso precisar dele”, disse o presidente .

Minc é o favorito para o cargo, mas nesta quarta-feira (14/05) Lula vai conversar com outro ministeriável, o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT). O martelo será batidonesta quarta pela manhã. Viana é muito próximo a Lula, mas já recusou outros convites para o governo. Hoje ele é presidente da Helibras, fabricante de helicópteros. “O presidente está dividido”, diz um auxiliar de Lula.

Lula ficou irritado com a maneira como Marina saiu. Ele só soube depois que a notícia vazou pela imprensa. Marina pegou o governo de surpresa. Ela não foi ao Palácio do Planalto entregar a carta de demissão. Mandou como portador o presidente do Ibama, Basileu Margarido. Ele chegou às 13h15 e entregou o documento ao chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho. O presidente tinha acabado de sair para um almoço no Itamaraty, e Carvalho não conseguiu avisá-lo. Lula só leu a carta depois das 16h, quando a notícia já tinha se espalhado.

Lula fez questão de demonstrar a interlocutores irritação com o fato de ela ter anunciado a demissão primeiro à imprensa, sem lhe dar chance de convencê-la a continuar na equipe. Segundo ministros, Marina agiu assim na tentativa de valorizar o próprio passe e pressionar os governistas a clamarem, em público, para que ficasse no primeiro escalão da máquina federal. Ciente disso, o presidente resolveu desautorizar qualquer negociação e realizar a troca no comando do ministério, a fim de não ficar refém da auxiliar. Os dois não conversaram ontem. Marcaram uma reunião de despedida para hoje.

Mangabeira
Militante histórica do PT, Marina deixou claro seu descontentamento em carta enviada ao presidente. Desde o primeiro mandato, a relação entre Lula e Marina se deteriorava a cada dia. A gota d’água para o rompimento foi a decisão do presidente de escolher o ministro extraordinário de Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger, como gestor do Plano Amazônia Sustentável (PAS). A decisão foi anunciada na cerimônia de lançamento do PAS, na quinta-feira passada, e pegou a ministra de surpresa, conforme relatos de auxiliares dela, que trabalharam na elaboração do pacote de medidas.

Um dia antes, Lula e Marina tiveram uma reunião tensa no Palácio do Planalto. Uma hora depois do encontro, estava prevista a participação dos dois na abertura de uma conferência. Lula desistiu da programação e foi descansar no Palácio da Alvorada. Antes disso, os dois acumularam uma série de conflitos, que levaram a ministra a cunhar uma frase que resume sua passagem pelo governo: “Eu perco a cabeça, mas não perco o juízo”.

A demissão de Marina, que passou o dia reclusa em Brasília, pegou de surpresa também os governistas no Congresso. Senadores petistas ligaram ao Planalto pedindo informação. O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, retornava, mas também para mostrar que nada sabia sobre o que estava acontecendo.

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