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Correio Braziliense

Mais pressão sobre Márcio Fortes

O ministro das Cidades tem tentado se desvincular das denúncias de corrupção em obras dirigidas por sua pasta, mas a cobrança cresce a cada dia. Polícia Federal quer ampliar investigações


postado em 30/06/2008 12:01 / atualizado em 30/06/2008 12:04

A Polícia Federal deve enviar ainda nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) a relação de novos parlamentares que apresentaram indícios de envolvimento com o esquema de desvio de dinheiro em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Até agora, dois deputados aparecem no rol de investigados: Ademir Camilo (PDT-MG) e João Magalhães (PMDB-MG). A polícia aguarda ainda para os próximos dias uma posição do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região sobre os pedidos de prisão temporária de cerca de 30 prefeitos feitos antes do dia 20, quando a PF realizou a Operação João de Barro, que prendeu pessoas envolvidas na fraude. O tribunal ainda não se manifestou sobre o pedido da polícia, e pode dar uma resposta até sexta-feira. Se depender da PF, as investigações só aumentarão a partir de agora, principalmente em cima das apreensões feitas nas prefeituras. Um cenário que só aumentará a pressão sobre o ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP). Ele tem tentado se desvincular das denúncias de corrupção em obras dirigidas por sua pasta, mas a cobrança tem crescido a cada dia. O PP, por exemplo, tem dado um apoio discreto ao seu ministro. O partido teme perder o ministério para outra legenda e, somente por isso, busca blindar Fortes das acusações. O problema é que o PT nunca escondeu o desejo de retomar a pasta, antes ocupada pelo petista gaúcho Olívio Dutra. A crise deflagrada pela operação da PF é só mais um combustível para que a permanência do ministro Márcio Fortes seja colocada em dúvida pelos governistas. Ontem, o ministro estava no Rio de Janeiro, participando da convenção do PP que aprovou o apoio à candidatura de Eduardo Paes, do PMDB, à prefeitura da cidade (leia mais na página 5). A situação do ministro se agravou principalmente depois da descoberta de que seu ex-braço direito no ministério, José Alcino Scarassati, pode ter favorecido o próprio filho numa licitação milionária. Alcino foi exonerado do cargo de coordenador político do Ministério das Cidades na terça-feira passada após suspeitas de ligação com o desvio de dinheiro do PAC. Dívidas Na última quinta-feira, o Correio revelou que a Construssati Serviços e Construções Ltda. ganhou uma concorrência de R$ 5,5 milhões para construir este ano 255 casas populares em Palmas, capital de Tocantins. A empresa é do estudante de direito André Scarassati, 26 anos, filho de Alcino. Mergulhada em dívidas, a Construssati tem menos de cinco anos de vida e não chega a 10 funcionários registrados. Desde o começo da crise no ministério, Márcio Fortes se esforça para se distanciar da responsabilidade sobre as licitações suspeitas. Argumenta que a pasta não tem ligação com as concorrências. O ministro alega que cabem aos estados e às prefeituras cuidar da escolha de quem vai tocar as obras do PAC da Habitação. Na sexta-feira passada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, só fez crescer a pressão sobre o ministro ao anunciar que a Controladora-Geral da União (CGU) e a Caixa Econômica Federal estão fazendo um pente-fino nas licitações ligadas ao programa federal. Segundo a ministra, o governo “acendeu a luz amarela”.

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