O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou nesta terça-feira que todos os ministros façam campanhas eleitorais para seus candidatos em quaisquer municípios do país. Mas definiu duas exceções: os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais).
Os dois foram excluídos da regra geral porque Lula os considera a imagem política do governo, o que poderia provocar choque na disputa que envolve os candidatos da base aliada. Dilma fará campanha em Porto Alegre (RS) para a candidata Maria do Rosário (PT), enquanto Múcio tem optado por fazer campanha no interior de Pernambuco, evitando a capital do Estado - Recife.
Na prática a autorização libera ministros e secretários especiais para que participem das campanhas independentemente dos Estados. A liberação para que os auxiliares diretos do presidente pudessem subir em palanques dividia opiniões no governo federal. Para Múcio, a autorização causaria transtornos, pois ele é o responsável pela articulação política do governo federal com o Congresso.
O assunto foi tratado hoje durante a reunião de coordenação política, conduzida pelo presidente durante a manhã. Estiveram presentes à reunião, no Palácio do Planalto, os ministros Tarso Genro (Justiça), Múcio, Dilma, Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). O ministro Franklin Martins (Comunicação Social) não compareceu à reunião porque está de férias.
Equilíbrio
Já o presidente reiterou que, no primeiro turno, ele só pretende subir em palanques nos quais aliados do governo federal não concorrem às eleições. Segundo aliados, Lula pretende fazer campanha em São Paulo, pois teria se comprometido com a candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), sinalizou hoje que o presidente terá dificuldades em aguardar o momento em que candidatos da base não estejam disputando as eleições. "Eu não sei a decisão que ele [Lula] vai tomar, quando há mais de um na base aliada, o presidente tem se mantido afastado. Mas a decisão pertence a ele", disse ele.
Segundo o petista, nunca há um equilíbrio entre todos os candidatos da base aliada federal nas disputas municipais. "Nunca há um equilíbrio absoluto entre os candidatos. Ele pode decidir entrar em uma ou outra campanha, mas não creio, mas é uma análise caso a caso", disse o governador. "Também tenho mais de um candidato da minha base em diversos municípios, mas não há regra geral para isso." Avisos.
Entre os ministros já anunciaram que farão campanha para seus correligionários: os ministros Tarso e Dilma Rousseff (Casa Civil), que irão para Porto Alegre (RS); Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), que farão campanha em Belo Horizonte (MG).
Tarso e Dilma, que disputam a indicação interna do PT para a sucessão presidencial, estarão no mesmo palanque em apoio à petista Maria do Rosário, em Porto Alegre. Tarso afirmou publicamente ser "um homem de partido" o que o coloca no palanque adversário ao da filha Luciana Genro (PSOL). Já Costa fará campanha para o PMDB e Dulci para o PT, em Belo Horizonte (MG).