Politica

DEM corre o risco de ficar só na obstrução

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postado em 08/08/2008 07:09
O PSDB e o PPS cansaram de fazer obstrução na Câmara, querem limpar a pauta das medidas provisórias (MPs) e aprovar uma agenda positiva composta por projetos de lei e emendas constitucionais que estão prontas para votação, além da mudança do rito de tramitação das MPs. Desembarcaram da estratégia de obstrução sistemática protagonizada pelo DEM. A discussão sobre o reposicionamento da oposição estremece ainda mais a relação entre as três legendas, já abalada por disputas municipais.

Agora, o líder do PSDB na Casa, deputado José Aníbal (PSDB-SP), resolveu negociar em separado com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), uma proposta de agenda positiva. Em contrapartida, articula a derrubada da MP que cria o Ministério da Pesca e mais 254 cargos comissionados no governo, a qual, segundo a maioria dos líderes, não tem urgência nem relevância. ;A estratégia de obstrução permanente se esgotou. Precisamos limpar a pauta e elaborar uma agenda de consenso entre o governo e a oposição;, diz o deputado Arnaldo Jardim (SP), líder em exercício do PPS, que apóia a ação de Aníbal.

;A matéria de maior repercussão aprovada pela Câmara no semestre foi a ;lei seca;, um exemplo de que a Casa pode ter uma atuação mais sintonizada com os problemas da sociedade;, acrescenta Jardim. Na opinião do parlamentar do PP, a obstrução sistemática acaba desgastando a oposição perante a opinião pública. Vice-líder do DEM, o deputado José Carlos Aleluia (BA) critica as negociações da oposição com os governistas e defende a obstrução. ;O José Aníbal está mais governista do que na época do governo Fernando Henrique Cardoso;, dispara.

Alfinetada

Aleluia faz alusão às negociações conduzidas pelo falecido deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA), então presidente da Câmara, diretamente com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Aníbal era excluído sistematicamente das negociações com os demais líderes por Luiz Eduardo. Aleluia é um dos que criticam o acordo de líderes para mudar o rito das medidas provisórias. A tensão entre PSDB e DEM aumentou por causa das disputas entre os dois partidos em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, principalmente. Os embates eleitorais começam a esgarçar as relações entre as duas bancadas.

Mas não é só por causa do DEM que um pacto para aprovação da agenda positiva, mesmo com apoio do presidente da Câmara, não é fácil. O líder do governo na Casa, Henrique Fontana (PT-RS), e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE), vivem às turras com Chinaglia e têm outras prioridades. A principal delas é concluir a votação do cálculo da Contribuição Social para a Saúde (CSS), o novo imposto do cheque, retirado por um destaque para votação em separado apresentado pelo DEM. A oposição resiste a votar esse ponto antes das eleições municipais, o que gera um impasse permanente nas negociações.

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