Politica

O preço da devastação: Brasil quer ser o quarto maior produtor de celulose do mundo

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postado em 30/08/2008 11:33
Para preocupação dos ambientalistas, a indústria de celulose está em franca expansão no país. A produção alcançou 11,8 milhões de toneladas no ano passado, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. O valor total das exportações da polpa de celulose deve passar de US$ 4,7 bilhões em 2007 para US$ 5,3 bilhões em 2008. Parece muito, mas é pouco perto do mercado mundial: US$ 190 bilhões. E também esse mercado está em expansão constante, em média 2% ao ano. O Brasil quer mais um pedaço desse bolo, passando da sexta para a quarta colocação. ;Na China, temos 1,3 bilhão de pessoas que não usam papel higiênico e não lêem;, afirma o presidente da Veracel, Antonio Sergio Alipio, empresa que ocupa 10% do mercado nacional. Os consumidores em potencial também entusiasmam as papeleiras. Nos países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, além dos europeus, o consumo de papel atinge 350 quilos por habitante ao ano. Nos países em desenvolvimento, como Rússia, Brasil e China, fica em 35 quilos por habitante. O crescimento da indústria é impulsionado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), que tem uma carteira de operações com financiamentos de R$ 12,1 bilhões para a indústria de papel e celulose. No ano passado, houve um desembolso de R$ 1,89 bilhão para as papeleiras. O BNDES é, na verdade, financiador e sócio do setor. Conta com 12,5% das ações ordinárias da Aracruz, empresa com faturamento anual de R$ 2,8 bilhões. Os sócios majoritários da empresa são a Votorantim (28%), o Banco Safra (28%) e o grupo norueguês Loretzen (28%). No mês passado, o grupo Loretzen anunciou interesse em sair da empresa. A Votorantim fez uma proposta de compra, mas o Banco Safra tem prioridade na aquisição das ações. Uma das alternativas em estudo, segundo fontes da Veracel e do próprio banco, é a divisão das ações do Loretzen entre Votorantim e Safra. Loteamento A Aracruz tem 50% das ações da Veracel. A outra metade pertence à sueco-finlandesa Stora Enso, multinacional com faturamento anual equivalente a R$ 40 bilhões. Às vezes aliadas, às vezes concorrentes, as papeleiras se entendem. No Rio Grande do Sul, mercado em expansão, o território está loteado da seguinte forma: a Aracruz ocupa a região central, nas proximidades de Porto Alegre, a Stora Enso fica com a Fronteira Oeste e a Votorantim está instalada na Zona Sul. No extremo sul da Bahia, há espaço para plantações de eucaliptos da Veracel, Aracruz e Suzano. A maior parte da produção de celulose é destinada à exportação. Assim acontece com 98% da produção da Veracel. A Aracruz destina cerca de 93% da sua produção ao exterior. A Suzano é das poucas papeleiras que realmente produz papel, um total de 1,1 milhão de toneladas por ano (41% para exportação). A empresa produz mais de 800 mil toneladas de celulose (80% para exportação). A Stora Enso produz papel, mas na Suécia. Essas exportações ajudam a melhorar a balança comercial brasileira, mas incomodam os governos estaduais. A Lei Kandir concede isenção de impostos nas exportações. Leia mais na edição impressa do Correio Braziliense.

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