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Correio Braziliense

Dia tenso no Congresso Nacional

Senadores consideram positivo o afastamento da cúpula da Abin. Demostenes Torres diz que Lula não tratou o caso com “banalidade”. Já Garibaldi aciona a Polícia Legislativa para entrar no caso


postado em 02/09/2008 08:37 / atualizado em 02/09/2008 08:42

O afastamento de Paulo Lacerda do comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acalmou os ânimos dos senadores. Agora, o próximo passo é saber se saiu dos gabinetes da Casa o grampo que captou uma conversa entre o senador Demostenes Torres (DEM-GO) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, em 15 de julho passado.

Ainda na segunda (01/09), o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), solicitou à Polícia Legislativa informações sobre o risco disso ter ocorrido. Não está descartada a possibilidade de que os gabinetes dos parlamentares tenham sido grampeados nos últimos meses. A Polícia Federal pretende fazer uma varredura dentro da Casa atrás de pistas nesse sentido.

A crise alterou um dia que deveria ser de marasmo no Senado, em pleno recesso branco nesta semana por causa da campanha eleitoral nos municípios. Supostamente vítimas das escutas clandestinas, Garibaldi, Demostenes e o petista Tião Viana (AC) se reuniram na tarde de ontem no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Participaram também do encontro o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, o vice-presidente, José Alencar, o ministro José Múcio (Relações Institucionais), e o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho.

Na conversa, Lula defendeu Paulo Lacerda, mas avisou que deveria afastá-lo durante as investigações. Os senadores deixaram o Palácio do Planalto convictos de que isso ocorreria ainda na noite de ontem, o que acabou se confirmando. A decisão foi comemorada. “O presidente Lula está convencido de que isso não pode continuar”, disse Garibaldi. “O presidente acertou ao afastá-lo. Assim, não desmoraliza um homem que ainda não tem prova de culpa, mas não trata o caso com banalidade”, avaliou Demostenes.

Já Tião Viana concordou com a medida, mas saiu em defesa de Lacerda. “Ele tem uma folha de serviços prestados ao país. O afastamento é um ato de grandeza para facilitar a investigação”, afirmou o petista. Os líderes partidários, tanto base do governo como da oposição, não aparecem ontem no Senado para comentar o assunto.

Teorias
No encontro no Planalto, o general Jorge Félix afirmou que há uma “suspeita” de que o grampo tenha sido feito no Senado, e não no STF. O chefe do GSI disse ainda que não descarta a possibilidade de o banqueiro Daniel Dantas estar envolvido no episódio. Dantas foi preso pela PF em julho em meio à Operação Satiagraha. O presidente do Supremo o libertou na época.

Procurado pelo Correio, o advogado do banqueiro, Nélio Machado, criticou a postura de Jorge Félix de incluir Dantas no episódio. “Acho que foi uma declaração infeliz, lembrando a ditadura militar, que buscava teses para encobrir seus atos. Isso foi leviano, uma ilação sem qualquer base”, afirmou.

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