O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), voltou a se referir nesta quarta-feira à sua participação na gestão de Celso Pitta (1997-2000) como um "erro". Kassab, que foi secretário do Planejamento de Pitta, afirmou, no entanto, que aceitaria o apoio do ex-prefeito e candidato Paulo Maluf (PP) -- padrinho político de Pitta -- caso ele vá para o segundo turno.
"O segundo turno é o momento de receber o apoio dos outros candidatos. E qualquer apoio é bem-vindo", disse o prefeito durante sabatina do jornal "O Estado de S. Paulo" ao ser questionado se aceitaria dividir o palanque com Maluf no segundo turno. "Se eu pudesse voltar no tempo, eu não assumiria um cargo na gestão dele [Pitta]", afirmou Kassab.
A participação de Kassab na gestão de Pitta tem sido explorada por seus adversários, sobretudo a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), principal alvo de críticas do democrata.
Serra e PSDB
O candidato evitou dizer que o racha no PSDB --partido do candidato Geraldo Alckmin-- poderia beneficiá-lo nestas eleições, mas admitiu que "seria melhor" que a legenda do governador José Serra (PSDB) tivesse firmado uma parceria com o DEM. "É evidente que seria melhor se estivéssemos juntos [em uma chapa única], mas é um fato consumado [a candidatura de Alckmin], mas estaremos juntos no segundo turno", disse Kassab, que ressaltou ainda a "parceria histórica" entre os dois partidos.
Questionado se convidaria Alckmin para atuar na sua gestão caso seja reeleito, o candidato foi cauteloso e disse que não queria ser "desrespeitoso" com o adversário, mas afirmou que fica honrado em tê-lo em sua equipe. O democrata voltou a ressaltar a parceria com Serra, com quem diz conversar "rotineiramente, às vezes, mais de uma vez por dia". E fez campanha para o governador --apontado como um dos principais nomes do PSDB para disputar a presidência em 2010. "Ele é o meu candidato para 2010, independentemente das eleições municipais", disse.
Críticas
Assim como tem feito em sua propaganda eleitoral no rádio e na TV, Kassab poupou Alckmin de críticas e focou os ataques em Marta. "Minha maior preocupação quando a ex-prefeita faz essa pergunta, é que ela volte a quebrar a prefeitura [...] tem de pagar contas, pensei se alguém já tinha explicado isso para ela", afirmou, sobre as críticas de Marta ao dinheiro que a prefeitura tem investido no banco. Em diversas ocasiões, Marta questionou por que esses recursos --R$ 4 bilhões, segundo Kassab-- não são investidos em obras. Durante a entrevista, o prefeito-candidato afirmou ainda que não tem pretensão de ser governador do Estado e assumiu dois compromissos: o de não reajustar a tarifa de ônibus até "31 de dezembro de 2009" e o de criar "dez parques da dimensão do Ibirapuera" na zona leste da cidade. A reportagem entrou em contato com a assessoria de Marta mas ainda não teve retorno.