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Correio Braziliense

PMDB articula volta de Renan

 


postado em 07/09/2008 10:01 / atualizado em 07/09/2008 10:07

Cresce a pressão dentro da bancada do PMDB no Senado para que o alagoano Renan Calheiros reassuma uma função já ocupada entre 2003 e 2005: a liderança da legenda na Casa. A estratégia é a reação a uma eventual vitória do petista Tião Viana (AC) na eleição para a Presidência do Senado em fevereiro do ano que vem. Renan e Viana estão longe de serem bons amigos. O peemedebista não engole até hoje algumas medidas do petista nos dias em que este ficou interinamente na Presidência, entre outubro e dezembro do ano passado, quando Renan se licenciou em meio à crise por causa de processos por quebra de decoro. Viana fez questão de tocar em assuntos relativos à transparência do Senado, irritando o colega do PMDB. Há um ano, Renan foi absolvido pela primeira vez em plenário da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Agora, tem sinalizado, timidamente, um retorno aos holofotes, com rápidos discursos em plenário sobre programas do governo federal que tenham relação com seu estado, Alagoas. Na última quinta-feira, por exemplo, falou sobre o pré-sal para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), único parlamentar presente. O peemedebista defendeu uma legislação atualizada para o petróleo brasileiro. No fim do discurso, uma saia-justa: Dias, que presidia a sessão, queria subir à tribuna, mas Renan não quis assumir a cadeira de presidente. Ele não senta nela desde que deixou o cargo, em dezembro do ano passado. Sem opção, Álvaro Dias encerrou os trabalhos. Embate A bancada do PMDB no Senado oferece resistências a abrir mão da Presidência para cedê-la a Tião Viana. O regimento diz que cabe ao maior partido escolher o presidente da Casa. No caso, o PMDB tem a maior bancada. O problema é que a legenda precisa do PT na Câmara para eleger Michel Temer (PMDB) presidente. Cientes disso, os petistas cobram a reciprocidade no Senado e esperam o apoio do PMDB para emplacar Viana. Publicamente, Renan tem evitado entrevistas. Procurado pelo Correio, alegou que não conversou com ninguém sobre a liderança do PMDB, hoje nas mãos do colega Valdir Raupp (RO). “Eu não conversei com ninguém e ninguém conversou comigo”, disse. Discreto no Senado, o senador alagoano manteve a interlocução nos bastidores do partido e também do Palácio do Planalto. Renan nunca escondeu a proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em plena campanha, Viana tem garimpado apoio dentro da bancada do PMDB. Recentemente, conversou sobre o assunto com Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um desafeto de Renan dentro do partido. A estratégia petista é isolar os aliados de Renan e de José Sarney (PMDB-A), que não querem apoiar Viana na eleição marcada para fevereiro. Renan deixou a Presidência do Senado em dezembro do ano passado, após a crise com a abertura de processos por quebra de decoro. Além de responder sobre a relação com um lobista, o senador foi alvo de investigação em relação às denúncias de que seria sócio oculto numa rádio. Reação A oposição já mostra uma reação ao movimento do PT para eleger Tião Viana. A primeira resposta é provocar o PMDB a não aceitar a entrega do cargo aos petistas. “Pelo PMDB, é preciso respeitar a prática e a tradição”, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “Temos que ter uma posição fixada: se o PMDB abrir mão, precisamos propor um nome nosso”, ressaltou.

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