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Correio Braziliense

Entorno: horas de espera na emergência na emergência

Correio inicia hoje uma série de reportagens sobre os principais problemas das cidades da região. Em Luziânia, moradora se queixa da demora para o atendimento aos usuários da rede pública de Saúde


postado em 18/09/2008 09:12 / atualizado em 18/09/2008 09:14

Aos 53 anos, Maria Zilma da Costa Porto tem uma larga experiência no que se refere a enfrentar fila em hospital público. Dona de uma pequena representação de gás, a mulher cuida de si e dos problemas de saúde da mãe, Joaquina, 78, que sofreu derrame há três anos e desde então tem convulsões constantes. “Pelo menos duas vezes na semana, tenho de correr para o médico”, conta. A dificuldade de lidar com a doença da mãe contribuiu para o quadro depressivo de Maria Zilma, o que a tornou mais uma refém das inconstâncias do serviço público. Maria Zilma e Joaquina moram em Luziânia, município goiano localizado a 60km de Brasília.

A situação da saúde em Luziânia será o primeiro tema abordado em matérias que o Correio fará de hoje até o dia das eleições municipais, em 5 de outubro. O enfoque da série serão as dúvidas de moradores das 22 cidades que compõem a chamada região do Entorno. A reportagem vai levar as perguntas da comunidade a todos os candidatos a prefeito e dar oportunidade para que respondam às questões.

No caso de Luziânia, mãe e filha estão interessadas em saber o que será feito para melhorar os serviços de saúde na cidade. Maria Zilma e Joaquina se acostumaram a enfrentar as filas que duram de três a quatro horas para atendimento de emergência. Mas nem sempre elas podem esperar e acabam recorrendo a hospital particular. Em Luziânia, o mais famoso é o Santa Luzia, que reúne diferentes acionistas, entre eles o prefeito candidato à reeleição, Dr. Célio (PSDB). “Somos bem tratadas no Santa Luzia, o atendimento é rápido. Mas não é toda vez que posso pagar”, lamenta Maria Zilma.

Clínico geral
Em Luziânia, existem dois hospitais públicos. O Regional, que funciona há duas décadas, e um outro que foi concluído há dois meses, no bairro Jardim Ingá. Mesmo o reforço da nova unidade não foi suficiente para diminuir as filas de espera. É que no Jardim Ingá só há um clínico geral e um especialista em ginecologia. As demais especialidades são encaminhadas para o Regional. Os postos de saúde da família também não são em quantidade suficiente para resolver o problema do município, que bateu a marca dos 200 mil habitantes.

Três candidatos disputam a prefeitura em Luziânia. Dr. Célio (PSDB), Didi (PT) e Augustinho (PSol). Didi e Agostinho disseram o que pretendem fazer na área da saúde caso se elejam nas próximas eleições. Desde segunda-feira, a reportagem entrou em contato com a assessoria do prefeito, que é concorrente à reeleição no município. Ele, no entanto, não retornou as chamadas do Correio.


O eleitor pergunta
O que o senhor fará para melhorar os serviços de saúde?

Professor Augustinho da Rosa (PSol)

A primeira providência que vou tomar para resolver o problema da saúde é sentar com a população e saber o que ela mais precisa. Não creio que seja necessário construir mais hospitais. Mas acho que devemos criar mecanismos para fazer funcionar bem a estrutura que temos hoje. Também vou me esforçar para buscar recursos com a instância estadual para evitar a falta de remédio nos hospitais, que hoje é bem comum.

Didi (PT)

Vou desprivatizar a saúde de Luziânia e fortalecer o sistema público, que hoje está à beira de um colapso. Para isso, pretendo criar uma fundação municipal com base na experiência de algumas prefeituras do Sul do país, que já tomaram essa iniciativa. Também proponho uma parceria com instituições de ensino superior para aumentarmos o número de profissionais, como médicos e enfermeiros residentes.

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