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Correio Braziliense

Chovem promessas nas eleições cariocas

No Rio, militares ocuparam o Complexo do Alemão para garantir a segurança do pleito. Violência é a principal preocupação dos candidatos, mas eles também colecionam idéias esdrúxulas em outras áreas


postado em 02/10/2008 09:10 / atualizado em 02/10/2008 09:12

Promessas de campanha, todo mundo sabe, costumam valer até o dia da eleição. Mas é em cima delas que os candidatos se apresentam e é a partir delas que o eleitor pode depois cobrar de quem ajudou a eleger. Na multifacetada eleição do Rio existem propostas inusitadas, como a implantação de aeromóveis (trens movidos a ar) e a construção de um superaquário. Entre elas, destacam-se aquelas na área de segurança: o uso das Forças Armadas em projetos sociais em favelas, a formação de guardas bilíngües e a multiplicação da vigilância “Big Brother” pela cidade.

A situação de violência no Rio vem exigindo dos candidatos respostas certeiras. A própria necessidade da presença de militares para a realização das eleições é um claro sintoma do problema. Ontem, as tropas federais entraram no Complexo do Alemão, com um contingente de 3,5 mil homens, o dobro do que foi utilizado em outras ocupações realizadas durante a Operação Guanabara. Em uma das favelas, a Nova Brasília, a banda do Exército chegou a tocar os hinos dos clubes de futebol cariocas na chegada dos militares. Na Vila Cruzeiro, o clima foi menos ameno. Fuzileiros navais tiveram de derrubar, com explosivos, uma barricada armada por traficantes.

Mas, além da obsessão generalizada por segurança pública, os candidatos apresentam idéias quase idênticas para mudar o Plano Diretor da cidade, aumentar o saneamento da Zona Oeste (onde ele é zero), ampliar o Programa Saúde da Família (PSF) — que no Rio tem cobertura de apenas 5% — e reduzir tarifas de ônibus. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Eduardo Paes (PMDB), a rigor, promete mais do que, como prefeito, poderia cumprir. Mas apóia cada promessa em palavras como “parceria” e “união” com os governos federal e estadual, contando com o apoio certo do padrinho, o governador Sérgio Cabral (PMDB), e do ex-desafeto dos tempos de tucano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre suas propostas ousadas está criar um programa de habitação popular, beneficiando mais de 100 mil famílias, estender a rede de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a todas as regiões da cidade, num total de 40 novas unidades, e criar a Secretaria Municipal de Ordem Pública. Já Fernando Gabeira, que confia numa “onda” para levá-lo para o segundo turno, quer ajudar a combater a violência urbana dando “armas não letais” para a Guarda Municipal e premiar professores para melhorar os resultados na área de educação.

Religiosos
Alessandro Molon (PT), que passou o horário eleitoral gratuito mostrando que Lula o apóia – sem que o próprio Lula aparecesse para dizer isso – promete enxugar a máquina, diminuindo o número de secretarias de 23 para 13. No caso do senador Marcelo Crivella (PRB), outro que se calça na proximidade do governo Lula, o programa de governo inclui pontos que parecem meramente retóricos, mas compreensíveis para alguém associado fortemente a uma denominação neopentecostal, a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual é bispo.

 

Ele promete não discriminar cultos, repudiar a homofobia, manter o carnaval “sem patrulhamento” e não nomear para o primeiro escalão de seu governo religiosos evangélicos. “Não serei de forma alguma o prefeito de uma instituição religiosa, mas sim de todas as crenças, de todas as religiões, de todos os cariocas”, diz ele.

Hospitais
A médica Jandira Feghali (PCdoB) procura mostrar que conhece o remédio para a saúde e promete, entre outras coisas, extinguir as filas em hospitais e postos de saúde e implantar o Cartão Carioca Saúde e o prontuário eletrônico. E vai criar uma nova pasta, a Secretaria Municipal da Mulher, para, segundo ela, coordenar políticas públicas voltada para mulheres. A candidata do prefeito Cesar Maia, Solange Amaral (DEM), acena com uma espécie de quinto mandato — uma continuidade dos três mandatos do prefeito e do outro de Luiz Paulo Conde, apoiado por ele.

 

Quer reaquecer uma idéia que o prefeito César Maia não conseguiu tocar, a construção do maior aquário marinho da América Latina na cidade, batizado de AquaRio. Chico Alencar (PSol) diz que vai criar o Conselho da Cidade, com representantes dos moradores e de entidades profissionais, e Paulo Ramos (PDT), que adotou o slogan “o caminhão da mudança chegou”, apresenta uma proposta no mínimo estranha para uma cidade com tantos quilômetros de praia: revigorar os clubes sociais.

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