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Correio Braziliense

ACM Neto rejeita o carlismo para se eleger

 


postado em 04/10/2008 12:57 / atualizado em 04/10/2008 13:24

SALVADOR – Em Brasília, ele é tratado como ACM Neto, deputado federal e cria política do avô Antonio Carlos Magalhães, morto em julho do ano passado. Na Bahia, ele é apenas Neto, o "menino de Salvador", segundo o próprio slogan de campanha à prefeitura da capital baiana. O parlamentar nega o carlismo justamente para mantê-lo vivo. Com essa estratégia, ACM Neto busca os votos de eleitores que sempre repudiaram o grupo na Bahia. Um clã político que se enfraqueceu nos últimos anos, mesmo antes da morte de seu criador. Em 2004, o carlismo perdeu a prefeitura de Salvador para João Henrique (PMDB), que derrotou César Borges, apoiado por ACM naquele ano. Em 2006, a derrota mais dolorosa: favorito para ser reeleito no primeiro turno, Paulo Souto (DEM) perdeu o governo da Bahia para o petista Jaques Wagner numa votação considerada surpreendente e catastrófica para o grupo carlista. Agora, ciente do cenário atual, ACM Neto quer manter o grupo político aceso, mas deixando de lado o passado. A ordem é não usar a expressão "carlismo". Nas ruas de Salvador, a campanha explora o "Neto", não o "ACM". "Com o desaparecimento físico do senador Antonio Carlos, não existe mais isso", argumenta. "Não dá para pensar no passado. Não existe mais uma política bipolar", disse ao Correio. A fama de truculento carregada por seu avô também é evitada. Após o debate da TV Globo, na noite de quinta-feira, ACM Neto conversou com os adversários como se fossem bons amigos. Repete a todo momento que não revida as agressões. E usa o futuro como arma para se desvincular do passado. "É hora de pensar para frente". A campanha em Salvador é um teste de sobrevivência para o carlismo. Nos últimos dias, a luz amarela acendeu na campanha de ACM Neto com a pesquisa Datafolha que o colocou fora da liderança pela primeira vez desde julho. Ficar fora do segundo turno é uma catástrofe para o candidato. Diante de uma situação delicada, o deputado chegou a afirmar que aceitará um apoio do PT se o partido não seguir em frente nesta eleição. ACM Neto teve ainda que pedir desculpas publicamente da ameaça feita em 2005 de dar uma surra no presidente Lula. Se passar para o segundo turno, ele não espera o apoio do tucano Antonio Imbassahy, mas contabiliza a seu favor o seu eleitorado. O candidato do DEM sonha em enfrentar o prefeito João Henrique (PMDB) e não o petista Walter Pinheiro. Ele avalia que, neste caso, o PT dificilmente subiria no palanque do PMDB após a troca de acusações entre os dois partidos durante o primeiro turno. E mais: os petistas colocariam obstáculos à presença de Lula na campanha de João Henrique. O problema é que ACM Neto sabe que a estratégia do presidente é isolá-lo na Bahia para derrotá-lo a qualquer preço.

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