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Correio Braziliense

Governadores turbinam aliados de pouca expressão

 


postado em 05/10/2008 08:28 / atualizado em 05/10/2008 08:30

Os governadores que entraram para valer nas eleições municipais terão um teste de fogo em seus projetos de poder. Em São Paulo, José Serra (PSDB) e, no Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), despejaram suas forças políticas e levaram os afilhados-candidatos com percentuais inexpressivos no começo da corrida eleitoral à real chance de vitória. Na capital paulista, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) saiu de um empate técnico na terceira colocação com Paulo Maluf (PP), para consolidar o segundo posto, atrás da petista Marta Suplicy, e deixando para trás o tucano Geraldo Alckmin. José Serra lutou para que Kassab tivesse o apoio do PSDB desde o começo do pleito, mas não conseguiu evitar a candidatura de Alckmin. Coube ao governo boicotar o correligionário e colocar a máquina do estado para atuar nos bastidores em favor do democrata. Todo o jogo foi feito mirando a sucessão presidencial em 2010. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro. Na disputa entre Sérgio Cabral e o prefeito César Maia (DEM), o peemedebista deu um banho. O candidato Eduardo Paes, que já foi deputado federal pelo PSDB e entrou no PMDB a convite do governador para ocupar uma secretaria de Estado, também começou mal. Mas com o bom capital político do padrinho, conseguiu ser alavancado para a primeira posição das pesquisas de intenção de votos. Cabral é visto como potencial vice de uma chapa encabeçada pelo PT em 2010. Racha Outro exemplo é São Luís. O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), rachou o partido ao meio e apoiou João Castelo (PSDB), que também é líder nas pesquisas. Mas nem toda tentativa de eleger pessoas sem expressividade é bem-sucedida. Em Alagoas por exemplo, a tucana Solange Jurema, não conseguiu passar dos 6% das intenções de votos, apesar de ter o apoio do governador Teotonio Vilela (PSDB) e do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Desanimados com a capacidade eleitoral da candidata, os dois políticos deixaram a campanha de lado algumas semanas atrás e passaram a se dedicar às disputas no interior do estado. O intento de eleger alguém sem expressividade política é uma prática antiga e conhecida no Brasil. Para o professor de ciências políticas da Universidade de Brasília (Unb) David Fleischer, trabalhar para eleger alguém que dê continuidade ao seu projeto de poder é uma estratégia que demonstra que o continuismo existe antes de a reeleição ser aprovada, em 1998. Para o professor, a atitude de construir figuras que caminham na carona de políticos conhecidos sempre foi comum. “A única coisa que mudou foi o fato de que antigamente o continuismo era representado por alguém ligado diretamente ao prefeito. Desde a eleição de 2000, o próprio prefeito preferiu disputar mais uma vez. Agora, a opção por lançar alguém ligado a ele é usada apenas quando a reeleição não é mais permitida”, afirmou.

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