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Correio Braziliense

O fim da Era Cesar Maia no Rio

 


postado em 05/10/2008 08:51 / atualizado em 05/10/2008 08:56

Rio de Janeiro — Quem vai para o Piranhão? Na eleição mais emocionante dos últimos 16 anos, 12 candidatos, quatro com chances reais, segundo os institutos de pesquisa, disputam duas vagas para o inevitável segundo turno que lançará seu vencedor à chefia de um município que perdeu peso político, poder econômico, vive o drama da narco-criminalidade, tem como sede um prédio erguido na antiga zona de prostituição na Cidade Nova, o tal Piranhão, mas que continua sendo o balneário mais charmoso do país. Neste domingo (05/10), quando os 4,5 milhões de eleitores cariocas forem às urnas colocarão um ponto final na Era Cesar Maia (DEM) — prefeito em três administrações — e unirão a cidade partida em torno de uma unanimidade: a necessidade de uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Três dos candidatos com mais chances de estrear no Executivo carioca são da base aliada: o ex-deputado Eduardo Paes (PMDB-PP-PTB-PSL), o senador Marcelo Crivella (PRB-PR-PSDC) e Jandira Feghali (PCdoB-PSB-PTN-PRTB-PHS), além de Alessandro Molon (PT), “cristianizado” dentro da tradição petista fluminense. O quarto na disputa é um petista desgarrado, o deputado Fernando Gabeira (PV-PSDB-PPS), que nos últimos dias, ao ver chances reais de ir para o segundo turno, passou a afagar o governo federal e a dizer que jamais será um anti-Lula. Com poucas chances, Solange Amaral (DEM), Chico Alencar (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e os nanicos Filipe Pereira (PSC), Antonio Carlos (PCO), Eduardo Serra (PCB) e Vinícius Cordeiro (PTdoB) completam a peleja. Com tantos palanques, Lula dificilmente apoiará um deles no segundo turno, embora não esteja livre de ser o nome mais citado — e paparicado — na disputa. Se por um lado Lula não tem conseguido fazer uma ligação direta entre sua popularidade e os candidatos que apóia, implodir pontes com o Planalto seria suicídio político. E se Lula é o grande eleitor, o grande perdedor é o prefeito César Maia, que dificilmente terá êxito em fazer a deputada Solange Amaral sua sucessora. Sonha agora com uma vaga no Senado em 2010. Há quatro anos, acontecia exatamente o oposto. Em 2004, Maia foi reeleito no primeiro turno com 1.728.853 votos, ou 50,1% dos votos válidos, uma lavada em cima dos concorrentes Marcelo Crivella (então no PL), com 753.189 votos, Luiz Paulo Conde (PMDB), com 385.848, Jandira Feghali (PC do B), com 238.098, Jorge Bittar (PT), com 217.753, entre outros. Voltando mais quatro anos, em 2000, César Maia (no PTB) foi ao segundo turno para arrebanhar o voto de 1.610.176 eleitores contra os 1.543.327 de seu ex-pupilo Conde (no então PFL). Com o poder questionado, o prefeito Cesar Maia, seu filho Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, e seu grupo não admitem apoiar Eduardo Paes (PMDB). Outras lideranças do partido, porém, preferem Paes a Gabeira ou Crivella.

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