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Correio Braziliense

Influências do Entorno no DF

 


postado em 05/10/2008 09:10 / atualizado em 05/10/2008 09:15

Assim como nas 26 capitais onde haverá disputa para prefeito e vereador, o futuro do Distrito Federal sentirá a repercussão das eleições neste domingo. A ligação de cidades vizinhas à capital da República tornou-se tão expressiva que hoje é impossível desconsiderar a influência de uma região sob a outra, a ponto de resumir as delimitações geográficas a apenas um detalhe. Prova disso é que um exército de 540 mil moradores do Entorno (um terço do total de habitantes) trabalha no DF e a cada ano 250 mil pessoas das cidades mais próximas ao quadrilátero buscam tratamento de saúde em hospitais e postos da capital federal. A relação intrínseca somada ao enorme contingente de eleitores desses municípios justifica o interesse de boa parte da classe política de Brasília pelos desdobramentos das candidaturas no interior de Goiás e Minas Gerais. Diferentes lideranças políticas de Brasília estarão atentas ao comportamento dos 613.957 eleitores do Entorno que vão às urnas neste domingo. Transferências A ligação de boa parte desse conjunto de pessoas com a capital da República é tão evidente que deputados distritais, federais, senadores e caciques partidários no potencial desse grupo para influenciar nas eleições em Brasília. Um indicativo desse poder são as transferências de voto entre o Entorno e o DF. Em 2008, 6.223 pessoas que votavam em Brasília resolveram mudar o título para Águas Lindas, Valparaíso e Luziânia. As três cidades estão entre as mais próximas e populosas da região, por isso são consideradas importantes. Daqui a dois anos, quando chegar o período das eleições presidenciais e para governadores, é bem possível que ocorra um refluxo de eleitores, já que no período não haverá escolha de vereadores. Caciques nos palanques Mais do que atentos, muitos políticos de Brasília nest domingo (05/10) estarão engajados nas eleições do Entorno. Eles planejam aumentar o patrimônio político dos partidos aos quais estão filiados no Distrito Federal a partir de vitórias nas eleições em cidades goianas e mineiras próximas à capital da República. E na corrida por espaço fora do quadrilátero, Águas Lindas é uma das cidades mais cobiçadas. Com uma população de 240 mil habitantes — porte de cidade média — e um eleitorado de 52 mil eleitores, a disputa no município reflete os interesses partidários de políticos locais. Seis candidatos concorrem à prefeitura: Hildo do Candango (PSB), Geraldo Messias (PP), Jair Amaral (PT), Marconi Mariano (PHS), Luiz Alberto (PSol) e Donizete (PRN). Há pelo menos três grupos políticos de Brasília por trás das candidaturas. Liderado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg, o PSB investe na eleição de Hildo do Candango. Nos últimos dois meses, Rollemberg participou ostensivamente da campanha na cidade. “É a nossa chance de termos uma vitrine a menos de 50km da capital do país, estrategicamente isso é importantíssimo”, diz o parlamentar. O PT de Brasília também entrou na disputa pela cidade a 44km da capital, da mesma forma que o DEM, que está na coligação que apóia a eleição de Geraldo Messias. Mas no caso dos dois partidos a avaliação é de que a vitória está mais próxima em outras cidades do Entorno com características parecidas às de Águas Lindas. O DEM do governador José Roberto Arruda e do vice Paulo Octávio, por exemplo, aposta na vitória em Planaltina de Goiás, com a candidatura de Dr. Davi. O partido também tem chances de eleger o prefeito em Formosa, Santo Antônio do Descoberto e Mimoso e se esforça para alcançar 50 vereadores, pouco mais do que o dobro do número existente hoje. “Para quem faz política em Brasília é muito importante ter um alinhamento com prefeitos do Entorno, porque as duas regiões são muito interligadas”, avalia o vice-governador e presidente do DEM, Paulo Octávio. O PTB do DF também integra a chapa que apóia o candidato Geraldo Messias. Apesar de disputar como cabeça-de-chapa em apenas dois municípios — Cocalzinho e Santo Antônio do Descoberto —, o senador Gim Argello fez campanha nas 10 cidades onde o partido está coligado. O PMDB do ex-governador Joaquim Roriz também marcou presença nas eleições do Entorno. Um dos representantes do partido, o deputado federal Tadeu Filippelli visitou algumas cidades em que a legenda tem candidatura. Sem citar os locais onde fez campanha, o parlamentar disse que optou por visitar as cidades em que as chances da vitória são reais. “É um tipo de estratégia”, afirmou. E onde não pôde ir o político mandou reforço de estrutura. Emprestou ao todo 30 equipamentos de som e dois trios elétricos para turbinar candidatos goianos.

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