Politica

Eleições: a partir de segunda, começa disputa pela Presidência

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postado em 26/10/2008 08:38
Os eleitores de 31 cidades brasileiras vão às urnas neste domingo (26/10), a partir das 8 h. A maior delas é São Paulo, a capital paulista, com seus 8,1 milhões de votantes. A menor é Benedito Leite (MA), com 4.271 eleitores, que realiza a sua primeira eleição para valer. A de 5 de outubro foi anulada pela Justiça Eleitoral. Com exceção do pequeno município maranhense, as demais estão entre as 79 maiores cidades do país, entre elas, o Rio de Janeiro, com mais de 4,5 milhões de eleitores, e Belo Horizonte, Salvador, Manaus e Porto Alegre, com mais de 1 milhão de eleitores. O centro do debate eleitoral foi a discussão sobre a gestão local e o perfil dos candidatos, que em alguns momentos descambou para a baixaria. Mas, apesar do foco na administração, o resultado das urnas terá muitas conseqüências para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Duas implicações são óbvias. A primeira é o desempenho dos principais partidos da coalizão governista. O PT cresceu bastante nas urnas, mas não a ponto de desbancar o PMDB como principal partido da base do governo, por causa das possíveis derrotas em São Paulo, Porto Alegre e Salvador. O PT elegeu 548 prefeitos no primeiro turno e pode eleger mais uma dúzia neste fim de semana. Já o PMDB elegeu 1.180 prefeitos e ainda disputa 12 cidades, entre elas capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, além de Porto Alegre e Salvador, onde os dois partidos aliados se confrontam. A segunda é o desempenho da oposição, que saiu enfraquecida, mas não foi dizimada. O PSDB conseguiu se manter como eixo de sua articulação, formando um bloco com o DEM e o PPS que elegeu 1.410 prefeitos (perdeu 350 cidades em relação a 2004) e nas eleições de hoje deve conquistar apenas três capitais: São Luís, Cuiabá e a jóia da coroa, São Paulo. Casamatas Paralelamente ao embate nas capitais, a batalha pelo controle de outras 20 cidades importantes ganha maior dimensão. Governo e oposição, por trás da discussão sobre merenda escolar, programas de saúde, transportes coletivos, etc., cavam trincheiras e constroem casamatas para uma guerra anunciada: a sucessão presidencial em 2010. A oposição segue o princípio do velho general chinês Sun Tzu, para quem não há nada melhor para se defender do que manter uma cidade fortificada. A principal delas é São Paulo. O presidente Lula se empenhou bastante nas campanhas dos candidatos petistas no estado de São Paulo, com participação em comícios, gravações de tevê e declarações de apoio. Chegou a dizer, na Índia, que a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy venceria as eleições para a prefeitura da capital. Também entrou de corpo e alma nas campanhas de Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo, Vanderlei Siraque, em Santo André, e Sebastião Almeida, em Guarulhos. Seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, foi deslocado para São Paulo. O marqueteiro João Santana também. Ambos deram o tom da dura campanha de Marta contra o prefeito Gilberto Kassab (DEM) no segundo turno. Além disso, o presidente da República se envolveu na campanha em cidades onde, em tese, deveria permanecer ao largo, por misturar disputas viscerais na própria base governista. É o caso de Porto Alegre, onde Lula apoiou ostensivamente a petista Maria do Rosário, contra o prefeito José Fogaça (PMDB), considerado um aliado duvidoso por sua antiga filiação ao PPS, partido pelo qual o prefeito se elegeu a primeira vez. Como Marta, Maria do Rosário está em desvantagem nas pesquisas. Mesmo assim, o presidente Lula manteve seu apoio ostensivo. Ninguém poderá afirmar que deixou as petistas no sereno nessas eleições. A exceção, porém, é a eleição em Salvador, onde Walter Pinheiro (PT), com apoio do governador Jaques Wagner, desafia o candidato do PMDB, o prefeito João Henrique. Na capital baiana, Lula preferiu preservar a boa relação com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, um dos artífices da entrada em bloco do PMDB em seu governo no segundo mandato. Parecem atitudes, mas não são. Lula precisa preservar as bases do PT em São Paulo e no Rio Grande do Sul, estados governados pelo PSDB, mas quer manter a qualquer custo sua aliança com o PMDB. Essa é a chave para viabilizar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em 2010. A disputa eleitoral nessas 30 cidades cria tensões na coalizão governista por causa dos empates do PT com os partidos aliados.

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