Politica

Em Salvador, João Henrique, do PMDB, é reeleito e fortalece Geddel Lima

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postado em 27/10/2008 09:17
Salvador ; O PMDB baiano entrou em festa pela madrugada numa dupla comemoração: a reeleição do prefeito João Henrique e o fortalecimento do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que agora se credencia para disputar o governo da Bahia em 2010. Anunciado o resultado, a sede do partido mergulhou no festejo político à base de acarajé e cerveja. A vitória de João Henrique foi folgada. Ele obteve 58,46% (753.487) dos votos válidos, contra 41,54% (535.492) do petista Walter Pinheiro, um cenário bem diferente do primeiro turno, quando os dois disputaram voto a voto a preferência do eleitor de Salvador. Confirmada a vitória do PMDB, o ministro da Integração Nacional recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se manteve neutro durante a disputa para não criar problemas entre os dois partidos de sua base de apoio. Antigo desafeto e hoje ministro de Lula, Geddel não perdeu a oportunidade de dedicar ao chefe o resultado, mas minimizou os atritos com o PT do governador Jaques Wagner. ;Não há vencidos nem vencedores. É um problema só desta eleição. Não há razão para rompimentos;, afirmou, sem descartar, porém, a possibilidade de disputar o governo da Bahia daqui a dois anos. ;Se eu dissesse que não sonho, seria hipócrita. Mas não tenho um projeto acabado.; Canteiro de obras O clima de votação foi tranqüilo durante dia, a não ser algumas acusações isoladas sobre supostas bocas-de-urna. Enquanto o PMDB aguardava com cautela que as recentes pesquisas se confirmassem, a militância petista torcia por uma virada em cima da hora. No final, prevaleceu a expectativa de vitória de João Henrique, que saiu de um quarto lugar no começo da campanha para liderar o primeiro turno e ser reeleito. O prefeito votou na companhia de Geddel e admitiu que a mudança do PDT para o PMDB no ano passado foi crucial para vencer a eleição, principalmente por causa dos recursos federais que chegaram à cidade com o apoio do ministro. ;Foi fundamental, muito importante. No momento em que mudamos para o PMDB, requalificamos os quadros da administração e recebemos de Brasília as verbas necessárias para os grandes investimentos.; João Henrique refere-se ao canteiro de obras que se instalou em Salvador nos últimos meses. A estratégia coordenada pelo ministro da Integração Nacional foi duramente criticada pelos adversários durante a campanha. O PT acusou o prefeito de ter realizado uma gestão de apenas quatro meses para impressionar o eleitorado baiano. O problema é que os petistas fizeram parte da administração de João Henrique até abril passado, quando a abandonaram para lançar Walter Pinheiro. No revide, o PMDB chamou o PT de traidor. Com o racha, abriu-se uma guerra declarada entre os dois partidos em Salvador. Uma ferida que, se não for fechada, poderá ser decisiva para a eleição de 2010. O impasse está criado, já que não passa pela cabeça do presidente Lula ter PMDB e PT rompidos na Bahia. A união das duas legendas, avalia o presidente, é fundamental para o fortalecimento de uma eventual chapa com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, como candidata à sucessão e o PMDB na vaga de vice. Panos quentes A partir de hoje, as lideranças dos dois partidos voltam a conversar em Salvador para aparar as arestas, até porque Lula será recebido por Geddel, Jaques Wagner e João Henrique na cidade, amanhã, para um evento com autoridades do governo português. O próprio João Henrique admite a tentativa de colocar panos quentes na troca de acusações das últimas semanas. ;É o calor da campanha, são pressões. Tudo isso passa. A partir de amanhã (hoje), a temperatura volta a se normalizar;, disse o prefeito, que contou com o apoio do deputado ACM Neto (DEM) no segundo turno. Terceiro colocado no primeiro turno, com 26,7% dos votos, o parlamentar do DEM foi considerado um dos pontos decisivos para a vitória do peemedebista. O PT não esconde o temor de que o grupo de ACM Neto se alie a Geddel em 2010, isolando o partido. Antigos adversários, carlistas e peemedebistas trocaram afagos nos últimos comícios de João Henrique e não descartam levar adiante essa aliança política.

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