Politica

Protógenes se diz surpreso com número de agentes da Abin na Satiagraha

;

postado em 26/11/2008 15:26
O delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, disse nesta quarta-feira que ficou surpreso com a quantidade de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que participaram da operação da PF --no total, cerca de 60. Depois de ter revelado à CPI que a colaboração dos agentes na operação foi apenas informal, Protógenes disse acreditar que o número elevado de homens da Abin seja conseqüência do revezamento entre as equipes que colaboravam com a Satiagraha. "Quando se falou a quantidade de oficiais de inteligência que trabalharam eu mesmo me surpreendi. Ele deu um número, mas talvez não tenha explicado que a cada 15 dias revezava suas equipes. O número que tive contato eram dois em Brasília, quatro em São Paulo e quatro no Rio, fazendo o total de dez, utilizados de forma pontual", afirmou. O delegado disse que, apesar do grande número de agentes da Abin na Satiagraha, poucos saberiam revelar detalhes da operação porque não participaram integralmente das investigações. "Se perguntarem a todos os oficiais de inteligência quais os dados, o conteúdo da Satiagraha, evidentemente eles não saberiam informar", disse. O presidente da CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), defendeu o indiciamento de Paulo Lacerda, diretor-afastado da Abin, por ter dito à comissão que os homens da agência participaram informalmente da operação. Com a divulgação de que a agência gastou R$ 381 mil na Satiagraha --pouco menos do total de R$ 466 mil contabilizado pela própria PF nas investigações--, integrantes da CPI afirmam que a participação não foi informal. Protógenes minimizou os gastos da Abin na Satiagraha ao afirmar que foram referentes apenas às atividades dos agentes na operação. "Não se trata de um financiamento da Abin à operação, mas custos acarretados com o deslocamento de inteligência que estavam à disposição da Satiagraha. O país se encontra enfraquecido com a segurança nacional", afirmou. Investigações Protógenes disse acreditar que o relatório do delegado Ricardo Saadi, que assumiu a Satiagraha após o seu afastamento, vai manter as conclusões realizadas por ele no início das investigações --com eventuais novos pedidos de prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Ao referir-se ao banqueiro como "bandido", Protógenes disse considerar inaceitável que Dantas tenha a concessão para explorar de terras brasileiras mesmo sendo dono de uma mineradora. O delegado insinuou que Dantas teria o apoio de "autoridades" para financiar supostos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. "A patranha montada em nosso país não foi montada originalmente daqui, foi montada fora, com a participação de autoridades", disse. Protógenes se reuniu nesta quarta-feira com a bancada do PSOL na Câmara e no Senado. O partido vem realizando sucessivos atos de apoio ao delegado, mas nega que a intenção da legenda seja levar o delegado para os seus quadros. "Ninguém está aqui pensando em eleição, mas sim uma seriedade republicada", disse o líder do partido na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ). O delegado, por sua vez, afirmou que não pretende se candidatar a cargos eletivos em 2010. "Eu tenho dito que não iria me destinar a outras atividades. Eu sou candidato à missão que a Polícia Federal me designar", afirmou.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação