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Correio Braziliense

Distância do Planalto é estratégia petista

 


postado em 06/01/2009 13:32 / atualizado em 06/01/2009 13:33

O senador Tião Viana (PT-AC) quer se desvincular da imagem de que atuará como soldado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso seja eleito para presidir o Senado. Em carta enviada na segunda-feira a todos os senadores, o petista anunciou sua disposição de disputar o cargo e avisou que não pretende colaborar com a ideia do Palácio do Planalto de enviar uma série de medidas provisórias ao Congresso. "Enfatizo minha posição contrária à judicialização da política, bem como à gana legiferante do Executivo, de que o excesso de medidas provisórias seria a perfeita ilustração, prática que subverte terrivelmente a agenda legislativa", afirmou. A carta tem 169 linhas e foi o primeiro gesto oficial do petista na briga pelo comando do Senado. Apoiado publicamente pelo presidente Lula, Tião Viana sofre resistências na oposição e dentro do PMDB, partido dono da maior bancada e do direito de indicar o presidente da Casa. O petista aproveita a indefinição dos peemedebistas na escolha de um candidato para tentar se consolidar como o nome de consenso, embora o PT seja apenas a quarta bancada. O discurso é o de que, se o PMDB eleger Michel Temer (SP) na Câmara, não poderá administrar as duas Casas em nome da harmonia entre os partidos. No documento escrito aos colegas, o parlamentar alfineta, sem citar nomes, o movimento político dos ex-presidentes José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Para Viana, o Senado deve ser administrado de maneira coletiva, e não por lideranças individuais. "Por sua natureza e pela estatura política e pessoal de seus membros, o Senado Federal não pode admitir outro tipo de liderança que não seja a exercida coletivamente. Essa liderança resulta, invariavelmente, do equilíbrio da representação partidária no Congresso Nacional", disse. Para agradar a gregos e troianos, o petista exalta senadores mortos de diversos campos políticos, desde o comunista Luis Carlos Prestes ao ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães. O senador ainda apresentou sua biografia e garantiu que trabalhará para recuperar a dignidade do Senado. O jogo Oficialmente, Viana tem apenas um adversário na disputa: o presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Baseado em pareceres jurídicos, o peemedebista alega que pode disputar a eleição em fevereiro, apesar de a Constituição proibir a reeleição dentro de uma mesma legislatura. Garibaldi argumenta que assumiu um mandato-tampão em dezembro de 2007, ao substituir Renan Calheiros, que renunciou em meio a processos por quebra de decoro. O senador potiguar diz que está encerrando um mandato que pertence ao colega alagoano e uma eventual vitória em fevereiro não representaria reeleição. O sonho de muitos peemedebistas é convencer Sarney a sair candidato no lugar de Garibaldi. O ex-presidente da República reluta em topar a disputa, principalmente porque não quer ir para o voto contra Tião Viana. Na semana que vem, o presidente Lula planeja conversar com Sarney para avaliar a possibilidade de sua candidatura e contornar o impasse na briga pelo comando do Senado.

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