Politica

Chanceleres informais de Lula irritam o Itamaraty

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postado em 19/01/2009 08:38
Nos últimos dias o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dedicou parte de seu tempo a um périplo pelo Oriente Médio, visitando Israel, Palestina, Síria, Jordânia e Egito, numa missão para tentar um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza. Se, em outros continentes, houvesse demandas pela presença do ministro brasileiro para tratar de temas variados nas áreas de defesa, meio ambiente, contatos com os sul-americanos ou com os países do Hemisfério Sul, não haveria problema de quadros qualificados. O modelo adotado pelo governo brasileiro criou a figura de vários chanceleres. No início do mês, o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, atropelou o Itamaraty e se reuniu com a equipe do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, para os primeiros contatos diplomáticos entre os dois países. Tratou de temas caros à diplomacia nacional, como alianças comerciais e militares. Antes, Mangabeira reuniu-se com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e seus principais ministros, para tratar de acordos na área de defesa e da ciência e tecnologia. Em ambas as ocasiões, ele estava autorizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Conferência de Poznan, na Polônia, no fim do mês, incentivados pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, técnicos ambientalistas negociaram verbas para o Fundo Amazônia com a Alemanha e a Noruega e prometeram metas de redução de emissão de gás carbônico por parte do Brasil sem passar pelo crivo das Relações Exteriores. Assim como Mangabeira, Minc e os técnicos do Meio Ambiente estavam autorizados por Lula a fazer os acordos. No Itamaraty, nem os recém-egressos do Instituto Rio Branco duvidam que quanto mais canais de interlocução do Brasil com o exterior, maior o risco de confusões na execução da política externa. O maior problema de ter tantos canais de interlocução com o exterior está na falta de coordenação entre eles. Sem isso tendem a se encavalar e a criar confusões, afirma um diplomata. Para ele, não se pode esperar coordenação na política externa de um ;governo descoordenado; em qualquer área há seis anos.

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