postado em 02/02/2009 10:45
O senador José Sarney (PMDB-AP) chega à votação de hoje preocupado, mas favorito para ser eleito presidente do Senado pela terceira vez. O outro candidato, o petista Tião Viana (AC), ganhou fôlego com o apoio do PSDB e trabalha para tentar vencer em plenário. Os coordenadores de campanha de Sarney proclamavam ontem ter mais de 50 senadores assegurados a seu favor. Tião Viana também canta vitória e diz ter 43 votos. Pelo menos uma das contas está errada.
O vencedor comandará o Senado nos últimos dois anos do governo Lula e durante as eleições de 2010. O cargo é fundamental dentro da estratégia política dos partidos. A sessão de votação está marcada para 10h. São 81 senadores aptos a votar. Para vencer, é preciso conquistar a maioria absoluta dos votantes. A contabilidade eleitoral determina a tática dos dois lados para hoje. Tião quer estender a sessão, com discursos e questões de ordem, o que não está previsto no regimento. Acredita que uma eventual pressão dentro do plenário poderá ajudá-lo.
Prevenidos contra isso, os apoiadores de Sarney se mobilizam para uma sessão rápida. ;Vamos para a votação;, diz sua filha, Roseana (PMDB-MA). O máximo que pode ocorrer, se depender da campanha de Sarney, é o discurso dos candidatos. O senador do PMDB não estava disposto a subir hoje à tribuna, mas deve usar o microfone já que Tião Viana avisou que pretende falar aos colegas.
Ontem, no último dia antes da eleição, os dois foram à missa em lugares diferentes. Tião foi à Igreja de Santo Antônio, na 911 Sul, e Sarney rezou na capela da residência do ex-arcebispo de Brasília Dom José Freire Falcão, na 703/704 Sul. Mas ambos se mantiveram fiéis a seu estilo de campanha. Tião Viana fez o máximo de barulho que pôde, enquanto José Sarney concentrou-se nas conversas de bastidor. Para mostrar força, o petista deu caráter suprapartidário a uma reunião que contaria apenas com a bancada do PT. Lá estavam o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), o pedetista Cristovam Buarque (DF) e Jarbas Vasconcelos (PE), um dos dissidentes do PMDB, partido de Sarney. Na saída, combinaram a estratégia de adotar o discurso de vitória, embora não tenham certeza dela. ;Estamos confiantes;, disse Viana.
Contabilidade
José Sarney recebeu a visita de aliados, como Renan Calheiros (PMDB-AL), Romero Jucá (PMDB-RR) e sua filha, Roseana (PMDB-MA). O clima na casa do ex-presidente da República era de cauteloso otimismo. Ao longo dos últimos dias, seus apoiadores falaram com praticamente todos os senadores. O saldo dessas conversas aponta para a vitória, mas com uma margem menor que o esperado.
Numa conversa com o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, Roseana contou que seu pai ficou muito aborrecido com os rumos da disputa no Senado. Durante meses, ele ouviu apelos, inclusive dos tucanos, para ser candidato. Quando se lançou, o PSDB aderiu a Tião Viana, numa negociação que envolveu cargos e promessas políticas. Mesmo assim, Sarney espera contar com pelo menos seis votos entre os 13 integrantes da bancada tucana, que se reuniria no fim da noite de ontem.
Sarney recebeu ontem mais uma promessa de que o Palácio do Planalto ficará fora da disputa. Resultado da cobrança feita por ele na madrugada de sábado, quando telefonou para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e reclamou da atuação de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que vinha mobilizando o governo a favor de Tião. ;Essa é uma disputa entre partidos e não pode dividir a base governista;, afirmou Romero Jucá, líder do governo no Senado.