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Correio Braziliense

Jesus vai pregar na Câmara Legislativa

 


postado em 13/02/2009 09:48 / atualizado em 13/02/2009 09:52

Entre os 24 deputados distritais da Câmara Legislativa, um é professor, outro é policial, tem promotor de Justiça, bispo que entrou para política, presidente de cooperativa, empresário, jornalista. A partir da próxima terça-feira, Cristo vai se unir ao grupo. O sósia mais conhecido de Jesus em Brasília, que durante uma década foi o ator principal da paixão e morte de Cristo na encenação de Planaltina virou deputado. Cláudio Cristo, como é conhecido na cidade onde mora, desceu do morro, largou a cruz e vai pregar em outros ares. O primeiro sermão já está ensaiado. No ato de sua posse, Cristo vai subir ao plenário para anunciar que abre mão dos 14º e 15º salários, que os parlamentares ganham no fim do ano. Alguns poucos rejeitam o benefício. “Acho mais ético”, explica o cover de Jesus. O que fez reforçar a convicção do Cristo de Planaltina é a eterna vigilância dos seguidores desde que Cláudio começou a desempenhar o papel do Salvador. “Assim que uns vizinhos souberam do mandato, vieram me perguntar se eu aceitaria ganhar os salários-extras porque Cristo certamente abriria mão”, conta o ator. Cláudio é segundo suplente do PPS na Câmara Legislativa. Com a saída do deputado Alírio Neto para chefiar a Secretaria de Justiça e Cidadania, o protagonista da paixão e morte de Jesus ocupará a vaga do ex-presidente da Casa. Será a estreia de Cristo do Morro da Capelinha na política local. A aproximação com expoentes do PPS em Brasília em 2003 e a visibilidade que as apresentações religiosas deram a Cláudio despertaram no ator o desejo de concorrer para deputado distrital. Em 2006, ele recebeu 4.350 votos tornando-se segundo suplente da legenda. O primeiro suplente da sigla, Bispo Renato, também carrega no nome a vinculação com os assuntos religiosos. O Cristo do espetáculo mais aguardado durante a Semana Santa em Brasília atuou fazendo o papel principal no Morro da Capelinha até 2003. Depois tornou-se o diretor da encenação e ainda permanece no grupo que todos os anos se apresenta em Planaltina. Mesmo afastado do palco, o ator nunca cortou os cabelos, marca que o remete à figura divina. “Acho legal manter o cabelo comprido porque até hoje as pessoas ainda ligam o personagem a mim, além disso a minha mulher prefere assim”, explica Cláudio Cristo, expondo seu lado mais humano. Quando Cláudio optou pela carreira pública, pretendia separar os assuntos religiosos da política. Durante a campanha, o candidato usou o sobrenome Abrantes, mas o registro de cartório não se sobrepõe à força do Cristo. Na cerimônia de posse do secretário Alírio no início da tarde de ontem, tanto o ex-presidente da Câmara, quanto o próprio governador José Roberto Arruda (DEM) se referiram ao novo deputado pela alcunha santa. “Tô saindo da Câmara, mas deixo Cristo em meu lugar”, apresentou Alírio. Arruda completou: “Esse cabeludo aí, que ficou conhecido por ser o Cristo é gente finíssima”. Diante da boa imagem que a via-crúcis emprestou a Cláudio Cristo, ele se rendeu ao estigma de imitar Jesus. “Sei que a minha responsabilidade vai ser muito maior pelo que eu represento, mas já me acostumei a essa pressão”, diz, com o semblante de quem sabe que deixou a cruz de madeira para prosseguir com a outra, mais discreta, porém não mais leve, a dos olhares que seguirão atentos à conduta do Jesus de Planaltina. Memória Disputa pela vaga Antes de ser confirmado na vaga aberta pelo deputado licenciado Alírio Neto (PPS) e apesar de ser o substituto natural para o posto, Cláudio Abrantes enfrentou concorrência dentro do partido para garantir o assento na Câmara Legislativa. Ele disputava o cargo com o terceiro suplente e diretor do Procon-DF, Ricardo Pires. Ex-administrador de Brasília e pessoa da confiança do governador, Pires estava ansioso — segundo integrantes do partido — para exercer o mandato de deputado. Mas o governador Arruda preferiu não interferir. Durante uma reunião de secretários na semana passada, o chefe do Executivo perguntou a Cláudio se ele tinha interesse em se tornar deputado. O segundo suplente respondeu que sim e recebeu as bênçãos de Arruda. Atualmente, Cláudio coordenava o projeto Tendas Culturais, cargo vinculado à Secretaria de Governo do GDF.

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