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Correio Braziliense

Ponto a ponto com Ricardo Berzoini

 


postado em 22/02/2009 11:12 / atualizado em 22/02/2009 11:16

O PT vai esperar até fevereiro do ano que vem para sacramentar o que todo mundo já sabe. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, será a candidata do partido à Presidência da República. Um processo no qual o partido seguiu as determinações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa entrevista ao Correio, o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, deixa claro que a questão interna já foi superada. Resta agora trabalhar a política de alianças e preparar o discurso para enfrentar a oposição. Berzoini está pessimista com a possibilidade de ter o PMDB unido no palanque de Dilma, mas insiste ao menos numa aliança formal, que garanta à candidata o tempo do partido na televisão. Espaço que, ele deixa claro, será ocupado por Lula, o principal cabo eleitoral de Dilma. O segredo que todo mundo sabe Dilma fortalecida Ela não é formalmente a candidata, mas tudo indica que ela será a candidata. Não há resistência política dentro do PT, nem ninguém que se apresente como alternativa. Escolha do candidato O PT já deliberou que fará um congresso em fevereiro de 2010 para comemorar os 30 anos do partido, aprovar o programa de governo, a tática de alianças e o nome da candidata. Oposição reclama É falta de assunto da oposição. As atividades que a ministra realiza são de cunho administrativo, com exceção daquelas que têm claramente o cunho partidário, como a festa do partido ou a palestra para o Diretório Nacional, realizadas na semana passada. De resto, são atividades naturais de governo, feitas tanto a nível federal quanto no governo de São Paulo. Ou de Minas Gerais. É só ver as últimas reuniões do governador de São Paulo com prefeitos. Elas são similares em termos administrativos e políticos. O que elas não têm é conteúdo eleitoral. A política que se faz é a do dia-a-dia, entre prefeitos e governadores ou o governo federal. E com um detalhe. Depois que o presidente Lula assumiu, sempre tratou os prefeitos com muito respeito. Ao contrário do governo anterior, no qual os prefeitos não eram recebidos e até, às vezes, eram reprimidos pelas forças de segurança do Distrito Federal. Campanha eleitoral Não existe nenhum caráter eleitoreiro, porque não há qualquer referência a eleições. A eleição é no ano que vem e as atividades do governo são normais. Principalmente quando a cerimônia reúne o presidente da República, ministros e prefeitos de vários partidos. Um dos prefeitos que estava à mesa da reunião nacional (apontada como eleitoreira pela oposição), era Gilberto Kassab, de São Paulo, que todo mundo sabe ser do Democratas. Efeitos das pesquisas Pesquisa é uma referência de momento. Se você olhar as eleições municipais, estaduais e federais dos últimos anos, verá que há gente que lidera um ano antes e ganha e gente que aparece bem e perde. Não é uma referência obrigatória para análise de candidatura. Mas na medida em que avança o grau de conhecimento da ministra Dilma, cresce a intenção de voto. Lula em 2010 Ele é uma grande liderança e estará encerrando um ciclo de oito anos de governo com grande aprovação popular. Será a grande referência política de 2010. Juntos no palanque Minha expectativa máxima é contar com todos os partidos da base aliada. Tenho motivos para o otimismo, porque o governo tem uma aprovação muito alta, que deve continuar até 2010. Temos uma história de lutas e uma relação mais antiga com os partidos de esquerda. Isso implica um cuidado especial na relação política, mas queremos ter todos os aliados. Aliança com o PMDB O PMDB tem uma trajetória nas eleições presidenciais recentes que demonstra que dificilmente ele estará 100% unido com alguma candidatura, mesmo que formalmente decida apoiar. Em 2002, o PMDB era aliado formal do Serra. Indicou até a vice. Isso não impediu que compusessem o nosso governo. Várias lideranças nacionais apoiaram Lula. Não vejo nenhuma hipótese do PMDB estar formalmente unido. Nós queremos a coligação formal com o PMDB, mas essa é uma batalha a ser travada. O PMDB tem uma forte presença nos ministérios e em vários escalões de governo. Dentro do governo, estão coligados com esse projeto. Nada mais coerente do que, em 2010, estarem coligados à nossa candidatura. Ciro no páreo Nós respeitaremos a candidatura de Ciro, se ela prevalecer. Mas há espaço para construção política de uma candidatura que represente todo o bloco aliado e o projeto político democrático e popular. Não faremos nenhum movimento para constranger o PSB, mas faremos todo o possível para termos o partido ao nosso lado já no primeiro turno. Serra ou Aécio A definição da candidatura adversária vai passar pelo embate interno do PSDB. Se for Serra, com certeza haverá algum grau de dissidência em parte da base do Aécio em Minas Gerais. Se for Aécio, haverá defecção em São Paulo. Então, não temos preferência.

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