Em meio a mais um escândalo e pressionado por senadores a deixar o cargo, o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, disse ontem que não vai renunciar ao comando administrativo da Casa. ;Não quero sair por alguma coisa que não tenho culpa;, argumentou. A reportagem perguntou ao servidor o tamanho de seu patrimônio. ;Essa declaração vou prestar ao Tribunal de Contas da União;, respondeu.
Em entrevista ao Correio, ele admitiu, no máximo, deixar o cargo ao término da gestão de José Sarney (PMDB-AP) na Presidência da Casa. Se isso ocorrer, será o fim de um reinado que começou em 1995. ;Nesses últimos três anos tenho passado por uma provação. Fisicamente e mentalmente foram desgastantes. Estou confirmado até 1º de fevereiro de 2011. A família acha que tenho que terminar esse mandato e viver;, afirmou.
Homem poderoso no Senado, Agaciel está cada vez mais isolado e se ampara no temporário respaldo de Sarney, que ontem pediu para o TCU investigar o servidor. O diretor começou a perder força após o episódio da Operação Mão-de-Obra, realizada pela Polícia Federal em 2006 para desmontar um esquema de fraudes em contratos com empresas terceirizadas. Na época, sua sala foi alvo de busca e apreensão pelos policiais. O nome de Agaciel aparece nas escutas telefônicas entre empresários e servidores do Senado. A PF e o Ministério Público argumentaram que o aviso dado ao então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de que a ação ocorreria atrapalhou os planos policiais.
Em agosto do ano passado, o Correio revelou que um segurança do Senado, Marinalvo Gomes de Araújo, deu um depoimento ao MP dizendo que viu um servidor de confiança de Agaciel, Valdeque Vaz de Souza, na sala do chefe numa madrugada anterior à operação da PF. Por dois anos, o Senado escondeu a história e o próprio Marinalvo, deslocado para serviços de menor visibilidade. Ontem, Agaciel negou o episódio. ;Não tinha razão para haver isso. Não mexi nos computadores;, afirmou. Dois homens de confiança dele foram afastados no ano passado após serem denunciados.
Agaciel balançou no cargo durante o último processo eleitoral da Presidência do Senado. Candidato, Tião Viana (PT-AC) pretendia afastá-lo. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), pediu na tribuna sua saída da diretoria-geral. Com a vitória de Sarney, Agaciel se fortaleceu. Senadores evitam comprar briga com o alto servidor porque sabem que ele tem acesso aos meandros de cada gabinete. ;Eu conheço até onde passam os canos de energia do Senado;, diz, deixando de lado qualquer tom de ameaça. ;Se todo senador manda em mim, como sou mais poderoso?;, destacou.
Suspeita
Ontem, Agaciel teve que dar muitas explicações. Desta vez sobre a suspeita de que escondeu da Receita Federal uma casa comprada em 1996 no Lago Sul. Agaciel contou que o lote foi comprado por seu irmão, o deputado João Maia (PR-RN). ;Quando quis adquirir esse lote, pedi ao meu irmão que comprasse enquanto eu vendia a casa em que vivia. Ele comprou o lote em setembro e em novembro de 1996 eu vendi a casa.; João Maia divulgou nota confirmando a versão. Agaciel diz ter pago ao parlamentar o valor do imóvel e garante que o declarou à Receita. Mas confessou que jamais o transferiu para o seu nome. ;O único aspecto que pega nessa história é de não ter passado para o meu nome;, disse.
Tenorinho é exonerado
O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), determinou a exoneração de Natacílio Tenório Cavalcanti, ex-prefeito de São Lourenço (MG). Conhecido na cidade mineira como Tenorinho, ele havia sido nomeado para trabalhar na Primeira-Secretaria no mês passado. A revelação de detalhes do seu histórico, em matéria publicada ontem pelo Correio, fez Heráclito dispensá-lo.
Neto do ex-deputado federal Tenório Cavalcanti, udenista durante a década de 50 que ficou famoso na Baixada Fluminense como O Homem da Capa Preta, Tenorinho faz política em Minas. Administrou o município mineiro localizado 387 km de Belo Horizonte, entre 2004 e 2008.
Pouco antes de tentar e perder a reeleição, em outubro passado, ele teve a casa vasculhada pela Polícia Federal em meios às buscas da Operação Mão-de-Obra, ação contra esquema de fraudes em obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A PF levantou a suspeita de que tenha recebido propina para atuar em favor de um dos lobistas investigados.
Além disso, por distribuição irregular de cestas báscias, foi declarado inelegível pelos próximos três anos pela Justiça Eleitoral, decisão confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais. Foi condenado também a pagar multa de R$ 25 mil. (MR)