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Correio Braziliense

Senado investiga gestão de Agaciel

Primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes, receberá amanhã relatório sobre funcionários fantasmas e suspeitas de superfaturamento em contratos


postado em 08/03/2009 09:32 / atualizado em 08/03/2009 09:33

O pente-fino nos contratos do Senado prometido pelo primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI), vai começar a mostrar resultados. Amanhã, uma equipe de técnicos da diretoria-geral da Casa vai apresentar um mapa com todos os contratos firmados durante a gestão de Agaciel Maia, que deixou o cargo na semana passada depois de 14 anos na função. O levantamento vai abordar principalmente as suspeitas de que há pelo menos 36 funcionários contratados pela empresa Ipanema que nunca deram um dia de serviço, além da suspeita de que os contratos com a terceirizada foram superfaturados. As denúncias foram feitas pelo Correio no final de 2008. “Li as denúncias envolvendo essa empresa e mandei investigar. Na próxima segunda-feira vou ter um relatório completo sobre esses casos. Vamos demitir as pessoas que são fantasmas e saber se alguém ganhou alguma coisa com esses contratos”, disse ontem o secretário. Por conta das reportagens do Correio, o então presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) cancelou o contrato com a Ipanema e abriu uma nova licitação. Nos próximos 60 dias a empresa vencedora do certame, a Plansul, deve começar a prestar os mesmos serviços por R$ 23 milhões: R$ 8 milhões a menos do que era repassado para a antiga contratada, cujos diretores mantêm relações de amizade tanto com Agaciel quanto com o ex-primeiro-secretário Efraim Moraes (DEM-PB). Antes de assinar o contrato com a nova prestadora de serviço, no entanto, Heráclito Fortes quer investigar a reputação da empresa: uma tentativa de evitar a enxurrada de denúncias que marcou a gestão de Agaciel. “Estou analisando tudo. A idéia é reduzir as despesas e encontrar possíveis problemas nos contratos, para evitar que haja renovação de algo irregular. Vamos ser rigorosos e atentos aos mínimos detalhes”, garantiu o primeiro-secretário. Avião A varredura nos contratos assinados pelo ex-diretor do Senado não é o único problema da família Maia. Reportagem da revista Época desta semana mostra que o deputado federal João Maia (PR-RN) — que emprestou o nome ao irmão Agaciel para que ele registrasse uma mansão avaliada em mais de R$ 5 milhões — também terá de se explicar à Justiça. Desta vez, por ter omitido em sua declaração de bens a propriedade de um avião bimotor da marca Sêneca, comprado, segundo ele, antes mesmo de ser eleito deputado, por cerca de R$ 488 mil. Segundo a revista, o parlamentar afirma que comprou o avião de uma distribuidora de petróleo e pagou por meio de “uma transferência bancária”. Não sabe dizer, no entanto, o porquê de nunca ter incluído o bem em sua declaração de renda, que mostra um patrimônio superior a R$ 13 milhões. Diz que pedirá explicações à sua contadora sobre a denúncia. Apesar de ter sido omitido para a Justiça Eleitoral, o avião era bem conhecido pelos parlamentares do Rio Grande do Norte. Segundo relato dos deputados conterrâneos de Maia, não são raras as vezes em que os aliados do parlamentar passeiam pelo estado a bordo do bimotor do colega.

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