Politica

Uma vida polêmica: a história de Clodovil Hernandes

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postado em 17/03/2009 21:00 / atualizado em 14/10/2020 14:11

Foi confirmada nesta terça-feira (17/03) a morte do deputado Clodovil Hernandes. Ele ficou conhecido nacionalmente como um grande comunicador e foi o terceiro deputado mais votado pelo estado de São Paulo no ano de 2006. Durante toda a sua vida, o estilista foi classificado como uma pessoa de senso crítico afiado e que não poupava elogios ou críticas. Como deputado federal de primeiro mandato, apresentou 17 projetos e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), além de exaltar os ânimos na Casa por diversas vezes. Algumas das iniciativas legislativas de Clodovil geraram críticas do próprio Congresso — como a PEC que sugere a redução de 513 para 250 deputados federais. Ainda por sugestão do deputado, deveria ser instituído o Dia da Mãe Adotiva — que seria comemorado no terceiro domingo de maio. Filho adotivo de um casal de espanhóis, Clodovil também defendeu que o enteado fosse autorizado a adotar o nome de família que o adotasse. Sem medo da morte Em entrevista no ano de 1999, para Rede Globo, o deputado afirmou que não tinha medo de morrer. "Estar vivo é um grande prazer porque esse é um presente que eu agradeço a Deus. Todos nós que estamos vivos fazemos parte da eternidade. Essa é a única forma de entendermos a vida. Quando a gente nasce não morre nunca mais. A morte não existe. A matéria não é você, você é uma essência e luz que está agasalhada por uma matéria. Eu acredito em tudo, não só em outras vidas. Mas eu não acredito na morte", disse. Mudança de carreira Clodovil chegou a se formar professor, mas acabou se tornando estilista nos anos 60. Ele fez sucesso com suas criações de alta costura. A primeira grande projeção na TV foi nos anos 80, quando apresentou ao lado de Marta Suplicy o programa "TV Mulher", na Rede Globo. Anos mais tarde, Marta se tormou uma desafeta, tanto que Clodovil batizou uma cobra que ficava na mesa de seu gabinete com o nome da ex-prefeita de São Paulo, como forma de provocar a ex-colega. Clodovil passou por quase todas as TVs abertas como apresentador de programas de variedades ou voltados também para o público feminino. Na Rede TV!, Clodovil desabafou no ar sua antipatia ao programa da emissora, Pânico na TV. Alterado, ele deixou o estúdio durante a exibição de seu programa diário e foi demitido na semana seguinte Na política Clodovil Hernades foi o terceiro deputado mais votado do Estado de São Paulo em 2006, com 493.951 votos. Ele admitia que "em nenhum momento" desejou se tornar deputado federal. Disse que o cargo veio como uma "guinada inesperada" após uma sólida e bem sucedida carreira como estilista e comunicador. Dias antes de tomar posse, em visita para conhecer o Congresso Nacional, foi barrado na porta porque não vestia gravata. Na ocasião ironizou: "Será que precisamos de gravata ou de seriedade?". Em seu primeiro discurso no plenário da Câmara dos Deputados, o deputado calou os parlamentares presentes à sessão após criticar o barulho provocado pelos colegas. Na ocasião, Clodovil comparou a Câmara a um mercado popular. "Eu não sei o que é decoro com um barulho desses enquanto a gente fala. Parece um mercado e isso aqui é a Casa do povo. Não entendo tanto barulho. Nem na TV, que é popular, as pessoas fazem isso", criticou. Ainda na posse,o lado estilista de Clodovil mais uma vez foi relembrado e com ele toda uma perplexão dos Congressista. O novo parlamentar compareceu à cerimônia usando chapéu, bengala e um terno claro, nítido contrate com a maioria dos colegas que optaram pelos sérios tons escuros. Bate-boca Já como deputado, Clodovil fez a parlamentar Cida Diogo (PT-RJ) chorar após uma discussão onde admitiu ter chamado-a de 'feia'. "Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é mulher feia", disse Clodovil. "Agora, eu tenho culpa se ela nasceu feia?", afirmou o parlamentar. Chance de mudar Após eleito, Clodovil mudou para Partido da República (PR) , no dia 27 de março de 2007, quando o TSE decidiu que os mandatos referentes a cargos proporcionais pertencem aos partidos políticos. Na época, o deputado argumentou que mudou de partido por causa da perseguição da legenda pela qual foi eleito com 493.951 votos. Com a mudança, o deputado correu o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Mas no dia 12 de março deste ano, foi absolvido por unanimidade dos votos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que Clodovil não poderia perder o mandato por ter trocado de partido. Para os ministros, houve grande discriminação pessoal ao parlamentar, o que justificaria o fato. Politicamente em festa Para comemorar a manutenção do mandato, Clodovil preparava para esta terça-feira (17/03) um jantar. A ocasião também seria em homenagem à vitória de Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara. Entre as marcas da carreira política de Clodovil, ficou o bordão utilizado em sua campanha à Câmara Federal. "Tenho certeza de que ao praticarmos a política com bondade, Brasília nunca mais será a mesma, nem o Brasil", dizia.


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