postado em 26/03/2009 12:40
O sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo sinalizou nesta quinta-feira, em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) usou "bodes expiatórios" para negar o seu envolvimento direto na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
A exemplo do ex-funcionário da Abin Jairo Martins de Souza, que ontem também disse à comissão que foi usado como "bode expiatório" pela Abin, Araújo disse que a comissão deve investigar o envolvimento da agência na operação.
"Não quero fazer essa colocação, só quero deixar esse fato registrado e a CPI deve se aprofundar nisso", afirmou.
Araújo disse que considera de "se estranhar" que o diretor de contra-inteligência afastado da Abin, Paulo Maurício Fortunato, e o delegado da Polícia Federal, Renato Porciúncula, tenham procurado o ex-agente do SNI (Serviço Nacional de Inteligência) Francisco Ambrósio um dia antes da imprensa revelar que Ambrósio seria autor de grampos clandestinos. "Houve um episódio que é de se estranhar, Paulo Maurício Fortunato e Renato Porciúncula estiveram na casa de Ambrósio, um dia antes da publicação da revista "IstoÉ´. Eu não sei o motivo dessas duas autoridades terem procurado Ambrósio antes da publicação. Deixo esse ponto no ar, acho que a CPI deveria se aprofundar nisso", afirmou.
No depoimento prestado nesta quarta-feira à comissão, Martins disse acreditar que tenha sido um "bode expiatório" ao ser apontado por integrantes da Abin como responsável por vazar à imprensa trechos do grampo. "O mundo estava desabando na cabeça deles (Abin). Alguém tem que pagar o pato. Por que não uma pessoa que tem um histórico como todo mundo coloca, que já foi fonte de uma matéria do mesmo jornalista (que vazou o grampo)? Eu acho isso", disse.
Apontado por membros do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) como suspeito de participação no grampo que flagrou conversa entre o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, Martins disse que não tem qualquer relação com o episódio -- nem com o vazamento à imprensa de trechos da conversa.
O nome de Martins veio à tona porque, em 2005, foi responsável por gravar a fita que mostrou o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo propina -- fato que deu origem à CPI dos Correios e às investigações do mensalão.