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Correio Braziliense

Agaciel ainda manda no Senado

Grupo do ex-diretor dá as cartas na Casa. Medidas moralizantes, como a redução do número de diretorias e a exoneração de 50 chefes, não saíram do papel. Auditoria da FGV também não tem data para começar


postado em 28/03/2009 08:00 / atualizado em 27/03/2009 22:41

Pivô da crise administrativa que assola o Senado, o ex-diretor-geral Agaciel Maia ainda dá as cartas na Casa. Recluso desde que perdeu o cargo em 3 de março, Agaciel tem telefonado para alguns senadores nos últimos dias, inclusive ex-presidentes. Quando vai ao Senado, com discrição, despacha no 9º andar, na Secretaria de Estágios, e no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), braço educacional da Casa distante do prédio principal. Nas conversas com os parlamentares, ele reclama do fogo interno de alguns servidores, se diz inocente e pede a permanência de José Alexandre Gazineo na Diretoria-Geral. Diretor-adjunto na época de Agaciel, Gazineo tenta ser efetivado no cargo. A onda de denúncias contra a burocracia interna não atingiu o grupo do ex-diretor, que, por enquanto, continua no comando dos principais postos do Senado: Diretoria-Geral, Recursos Humanos, Telecomunicações, Gráfica, Informática (Prodasen) e o ILB. E mais: seus aliados ainda vivem em apartamentos funcionais do Senado. Nada mudou. As principais medidas anunciadas pelo presidente José Sarney (PMDB-AP) para conter a crise, por exemplo, ainda não foram aplicadas, entre elas, as exonerações de 50 servidores com cargos de direção. As demissões, divulgadas no último dia 20, até agora não foram publicadas no boletim interno do Senado. Essa lista, por exemplo, foi feita por José Gazineo e Celso Menezes, chefe-de-gabinete da Diretoria-Geral desde 2005, uma espécie de braço-direito de Agaciel. Irritado com a cobrança diária sobre informações públicas mantidas sob sigilo, como contratos de terceirização, Gazineo decidiu endurecer e buscou na Lei 9.784/99, que trata da administração federal, uma forma de dificultar o acesso a dados da Casa. “Quaisquer informações e dados que exijam a pesquisa de elementos técnicos detalhados só poderão ser prestados dentro do prazo legal de cinco dias”, informou ao Correio. Nem mesmo algo referente a senadores será fácil conseguir. “Os dados e informações que sejam concernentes aos senhores senadores somente poderão ser informados por meio de autorização e/ou diretamente pelo senhor primeiro-secretário”, disse. Convênio e imóveis A tão falada auditoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) permanece no papel. Não se sabe ainda quando vai começar, nem o prazo e o custo que terá. A outra promessa é a redução de 38 para 20 diretorias nas próximas quatro semanas. Uma comissão cuidará do assunto, mas ainda não foi nomeada. Servidores ameaçados de perderem os cargos pressionam para impedir qualquer mudança. Esse clima de incerteza impede o avanço das medidas e aumenta o acirramento interno pelo poder administrativo do Senado. No domingo passado, a reportagem mostrou a disputa que existe hoje entre a ala de Agaciel, que comanda a Casa desde 1995, e um grupo de consultores, que passou em concurso no mesmo período e tem ganhado a simpatia de alguns senadores. Ciente da situação, Agaciel, que neste período de crise passou alguns dias no Rio Grande do Norte, sua terra natal, trabalha para manter seus aliados em postos estratégicos, como a gráfica, a informática e o serviço de telefonia. O ex-diretor também tem feito apelos para manter seus aliados em apartamentos funcionais do Senado. Dos 12 imóveis ocupados por funcionários, pelo menos sete foram destinados a pessoas ligadas ao ex-diretor. Entre eles está Valdeque Vaz de Souza, assessor de Agaciel e morador de um espaçoso de 100 metros quadrados no bloco J da 205 Sul. Terceiro-secretário do Senado, Mão Santa (PMDB-PI) recebeu a missão de administrar esse problema. Ontem, por exemplo, foi procurado por Valdeque. Por enquanto, o senador não tomou nenhuma medida. » Dê sua opinião: opine sobre as medidas de redução de gastos no Senado pelo e-mail leitor.df@diariosassociados.com.br

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