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Correio Braziliense

Efeitos da crise assustam Lula

 


postado em 29/03/2009 10:55 / atualizado em 29/03/2009 11:01

Embora negue, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está muito preocupado com os efeitos políticos da crise econômica internacional. O Palácio do Planalto teme que os problemas da economia afetem o projeto de eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para a Presidência da República em 2010. A pior notícia, confirmada pelas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha da semana passada, é a perda de popularidade entre os brasileiros mais pobres, que sempre constituíram o eleitorado mais fiel de Lula. Por isso, a estratégia do governo para enfrentar a crise ganhou um forte componente político. A prioridade será para ações com reflexos imediatos entre os mais pobres. Essa foi a lógica por trás do programa para construção de um milhão de casas, anunciado na quarta-feira passada. A prioridade é para moradias populares, para famílias com renda de até três salários mínimos mensais. No cenário traçado pelo governo, de um lado estarão as famílias beneficiadas pela moradia. De outro, os trabalhadores contratados pela indústria da construção civil. “São pobres construindo casas para pobres”, define um líder governista. O desemprego é a principal preocupação do governo. Na crise, ele atinge primeiro os mais pobres. As demissões provocam um efeito de medo, com potencial de paralisar a economia. Para combater isso, um dos próximos movimentos de Lula será um programa nacional de microcrédito. A ideia é movimentar R$ 5 bilhões, dinheiro que sairá do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e será repassado para estados e municípios. O projeto é incentivar a abertura de pequenos negócios, como alternativa ao desemprego. O presidente e Dilma Rousseff voltaram temerosos da recente viagem aos Estados Unidos. Lula recita para os auxiliares números assustadores sobre a situação da economia americana, que lhe foram relatados pelo presidente Barack Obama. Sua avaliação é que, se os problemas chegarem à mesma intensidade no Brasil, não será apenas a eleição de 2010 que estará em risco, mas o legado de seu governo. Depois de oito anos no poder, não quer ser lembrado pelos problemas dos últimos dois. Agenda Lula pretende criar uma agenda alternativa, para disputar com a crise espaço nos noticiários. Tenta repetir o movimento de 2005, quando uma ofensiva de lançamento de projetos do governo ajudou a neutralizar os efeitos negativos do escândalo do mensalão. O programa de habitação foi o primeiro movimento e o presidente gostou do resultado. O assunto ganhou destaque e colocou a oposição na incômoda posição de falar contra a proposta de construir um milhão de casas em dois anos. O presidente pediu à Dilma Rousseff e aos órgãos federais envolvidos para que toquem em regime de urgência algumas obras. Quer inaugurar os primeiros conjuntos habitacionais em seis meses. Seria uma forma de responder à acusação de que o plano é inexequível. Os próximos passos serão uma ofensiva de propaganda em torno das perspectivas do programa de exploração de petróleo na camada do pré-sal. E depois, o microcrédito. “Não podemos ficar na defensiva, apenas torcendo contra a crise”, diz um ministro. “Temos de agir e continuar torcendo.”

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