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Correio Braziliense

Dossiê derruba mais um diretor do Senado

 


postado em 03/04/2009 08:37 / atualizado em 03/04/2009 08:39

A crise administrativa do Senado fez mais uma vítima: o diretor da Secretaria de Telecomunicações, Carlos Roberto Muniz, o Carlinhos. O estopim para a queda foi um dossiê apresentado por ele sobre as despesas dos senadores com telefonia. A atitude irritou o primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI). Ontem, Carlinhos foi avisado de que perdeu o poderoso cargo. O levantamento teria incomodado o senador por conter informações sobre ele e também dados que não estariam corretos, como o número dos telefones de alguns parlamentares. No documento, por exemplo, o número do próprio Heráclito seria antigo, da época em que ele era deputado. O dossiê conteria uma relação nominal de todos os senadores e eventuais problemas ao lado. Em conversas com parlamentares nos últimos dias, o primeiro-secretário reclamou da postura do servidor, manifestando a “falta de confiança” e a necessidade de exonerá-lo. Na noite de ontem, a Secretaria de Comunicação Social confirmou a sua saída, mas não o motivo dela. No mês passado, o senador Tião Viana (PT-AC) subiu à tribuna para dar explicações sobre o celular do Senado que emprestou à filha em janeiro para uma viagem de férias. Na época, o petista acusou aliados do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), de envolvimento com o vazamento da informação. O episódio só piorou o clima entre os senadores e acirrou a crise administrativa. Carlos Muniz era homem de confiança do ex-diretor-geral Agaciel Maia. A Secretaria de Telecomunicações é vista como um dos pontos fortes do grupo do ex-diretor dentro do Senado. A área ganhou status de diretoria em 2004, quando já era comandada por Carlinhos. Hoje, o órgão cuida de contratos milionários com empresas do setor. Somente no ano passado, foram gastos R$ 18 milhões com serviços de telecomunicações. Grampo Em 2009, aliás, a telefonia esteve sob suspeita em meio à crise do grampo telefônico envolvendo o senador Demostenes Torres (DEM-GO) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Uma varredura foi feita no sistema interno para saber se a escuta ilegal partiu da Casa legislativa. Nada teria sido encontrado. Mas o fantasma da possível interceptação por meio do Senado não sumiu. Uma denúncia entregue ao Ministério Público Federal diz que o comando da secretaria não queria expor problemas num contrato de terceirização com a empresa Montana para evitar um novo escândalo após a crise dos grampos. O procurador da República Paulo Roberto Galvão de Carvalho abriu uma investigação sobre o caso. O contrato com a Montana, de R$ 650 mil, foi encerrado há duas semanas. No seu lugar, entrou a Atto Teleinformática. A superestrutura da Secretaria de Telecomunicações foi criada num ato de 15 de julho de 2004 da Mesa Diretora, comandada na época pelo hoje presidente José Sarney. De subsecretaria, o setor passou a ter status de secretaria, ganhou uma sub (convergência tecnológica) e mais seis “serviços” com cargos de chefia.

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