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Correio Braziliense

Um freio no plano de cargos do Senado


postado em 28/08/2009 08:55

Desta vez, o “cartão vermelho” veio das mãos de José Sarney (PMDB-AP). O plano de cargos e salários dos servidores da Casa esbarrou na negativa do presidente da Casa. Ele não queria arcar com o desgaste de falar em reajuste para funcionários em meio à crise que assola o Senado. Desde a semana passada, crescia a articulação para a apresentação de um projeto de lei que estipulava aumentos de até 43% para consultores e advogados, além de 30% para as carreiras de técnico e 24% para analistas.

O projeto foi elaborado pelo Conselho de Administração do Senado e contou com consultoria da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ontem, quando foi apresentado formalmente em reunião da Mesa Diretora, por volta das 10h, acabou engavetado por Sarney.

Coube ao diretor-geral da Casa, Haroldo Tajra, apresentar rapidamente a proposta, como uma reivindicação antiga e legítima dos servidores. Sarney, no entanto, disse que este não é o momento de falar em aumento de salários e deu o assunto por encerrado, tendo a opinião acompanhada por outros senadores que compõem a Mesa.

Na edição desta quinta (27/8), o Correio mostrou que havia indisposição entre alguns integrantes da Mesa Diretora do Senado com relação ao projeto que criava o novo plano de cargos e salários. A proposta também não é unanimidade entre os servidores. Alguns reclamam que ela favorece consultores e advogados com reajuste maior, e que, ao mesmo tempo, enxuga o valor das funções comissionadas.

Estudo
Ao fim da reunião de quinta, o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI) minimizou o episódio. “Há um estudo e ele tem que ser adequado à proposta da FGV (de reforma administrativa do Senado). Não há nada de concreto, nós estamos vendo as repercussões. Não existe uma proposta ainda, existem as intenções”, disse.

A proposta a que Heráclito se refere foi feita pela fundação e apresentada por Sarney no último dia 18. Ela prevê economia de R$ 376,4 milhões ao ano, com cortes de gastos com funcionários terceirizados, redução de assessorias estratégicas e de diretorias da Casa (passariam de 41 para seis). O número de chefias também seria reduzido de 379 para 240.

Já na ocasião de apresentação do plano da FGV, Sarney disse que a criação de um plano de cargos e salários para os funcionários do Senado seria elaborado em fase posterior. “Vamos enfrentar um grande trabalho pela frente e, tenho certeza, o funcionalismo da Casa vai colaborar”, afirmou.

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