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PSDB só aceitará apoio nos estados caso alianças sejam estendidas na corrida ao Planalto

;Quem quiser o nosso apoio nos estados, tem que estar conosco no plano nacional. Disso, não abrimos mão.; Com essa frase, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), deu um recado claro aos filiados do partido durante o encontro da bancada no Rio de Janeiro, na quinta e sexta-feira. Não serão bem-vindas as alianças com aqueles que se aproximam da legenda para garantir o naco do poder estadual e, quando chega a hora de dar uma força na campanha presidencial, deixam o candidato que precisa percorrer o país todo praticamente à deriva, com material de campanha encalhado, como ocorreu em 2006 com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin ; uma experiência que os tucanos classificaram como de muitos apoios formais, mas pouca campanha de rua.

O quadro que começa a se formar em alguns estados mostra que o PSDB tem lá as suas razões ao fazer essas cobranças. No Rio Grande do Norte, por exemplo, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), é hoje um dos maiores parceiros do presidente Lula e tem defendido abertamente a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Só que o primo de Henrique, o senador Garibaldi Alves, também do PMDB, pretende concorrer à reeleição na chapa de Rosalba Ciarlini (DEM) ao governo estadual. A outra vaga ao Senado é do líder do DEM na Casa, José Agripino (RN). ;Nossa prioridade hoje é a campanha presidencial. Estamos montando esse palanque para o nosso candidato, seja ele Serra ou Aécio;, diz o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).

O mesmo vale para Alagoas, onde Renan Calheiros (PMDB), candidato à reeleição, não descarta uma chapa com o governador-candidato Teotônio Vilela Filho. Na campanha presidencial, entretanto, tende a apoiar Dilma Rousseff. Outro palanque que ainda é problemático é o do Ceará, onde Tasso Jereissati enfrenta uma pressão para ser candidato a governador contra Cid Gomes (PSB) só para acertar um palanque estadual para dar um QG ao presidenciável tucano no estado. Hoje, se dependesse exclusivamente de Tasso, ele seria candidato numa composição com o governador Cid. Só que Cid é aliado de Lula.

Dificuldades Nos quadros que repassaram no encontro de dois dias no Rio de Janeiro, o PSDB constatou que o Nordeste é mesmo o lugar onde enfrenta mais dificuldades. Para muitos no partido, essa realidade é consequência do Bolsa Família, programa que hoje tem a marca do governo Lula e transformou a região num celeiro de votos para os petistas e seus aliados. Muitos deles, antigos colaboradores do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para se ter ideia da ausência de uma estratégia forte do PSDB no Nordeste, apenas em três dos nove estados da região o partido tem hoje candidato a governador ; Alagoas, Paraíba e Piauí. Nos demais, dependerão dos aliados, DEM e PMDB, para garantir a campanha do candidato a presidente. Por isso é que chegou a hora de exigir fidelidade.

Entrevista com o senador Sérgio Guerra