postado em 26/10/2009 08:16
Eles estão à frente de grandes entidades empresariais. Têm acesso fácil a financiadores de campanha e detêm um cartel de reuniões e solenidades pela Esplanada dos Ministérios. São dirigentes de confederações e federações representativas de setores da iniciativa privada, que se empenham em usar a visibilidade dos postos a serviço de uma candidatura na eleição de 2010. No Distrito Federal, é o presidente do Serviço Social do Comércio (Sesc) quem dá o tom de campanha. O senador Adelmir Santana é filiado ao DEM e por onde anda já pede votos e se apresenta como ;candidatíssimo ao Senado;.Sobre a influência da estrutura do órgão que preside há oito anos, Santana afirma que não há como desvincular seu nome das atividades do Sesc. ;As propagandas feitas são institucionais. Mas não posso negar que há uma marca. No entanto, é bem diferente de dirigir um órgão do governo, onde você pode inaugurar obras e realizar eventos. É diferente, mas também dá visibilidade.; Em Pernambuco, o nome do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto, tem sido trabalhado pelo PTB para integrar a chapa apoiada pelo governador Eduardo Campos (PSB) ao Senado. ;Nosso partido tem crescido e todos têm percebido isso. O Armando tem trânsito nacional, faz aparições na mídia de todo país e é nosso nome para senador;, conta o secretário-geral da legenda, José Humberto Cavalcanti.
O presidente da CNI, que é presidente regional do PTB, já tem cumprido agenda de candidato no estado. Durante a visita de Lula às obras de transposição e revitalização do Rio São Francisco, colou na comitiva e manteve conversas políticas. ;Quem vai bater o martelo é o governador. Mas estamos pleiteando essa vaga para ele. Até porque esses anos à frente da CNI lhe deram um relevo especial que precisa ser considerado;, completa Cavalcanti. No comando da Confederação Nacional do Transporte (CNT), está outro candidato ao Senado em 2010: Clésio Andrade, presidente regional do PR.
Em campanha já iniciada, o grupo político dele entrou em contato com cerca de 700 prefeitos mineiros para anunciar que o presidente da confederação é candidato a uma vaga de senador. Um dos argumentos usados a favor de Andrade para convencer políticos a apoiá-lo é o trânsito fácil na Esplanada dos Ministérios e a visibilidade nacional conseguida por ele ao longo dos anos dirigindo a entidade. Suas aparições na mídia nacional são graças às pesquisas patrocinadas pela CNT, que realiza estudos e levantamentos sobre os mais diferentes temas políticos.
Regionais
Dirigentes das federações das indústrias em diferentes estados do país também têm articulado participação no pleito eleitoral do próximo ano, ou pelo menos frequentado ativamente as rodas de discussões e as listas de possíveis candidatos. Em Santa Catarina, o presidente da federação das indústrias do estado (Fiesc), Alcantaro Corrêa, é uma aposta para assumir a vaga de vice numa possível chapa encabeçada pela senadora catarinense Ideli Salvatti (PT-SC). Para os petistas, seria a esperança de repetir a dobradinha nacional bem-sucedida do PT, tendo como vice um representante da classe empresarial. Corrêa, por sua vez, não confirma a intenção.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Mauro Mendes, foi candidato ano passado a prefeito de Cuiabá e este ano ainda discute com o PSB, partido ao qual se filiou recentemente, para qual cargo poderia concorrer em 2010. Parentes de políticos atualmente com mandatos, dois dirigentes de federações em nível estadual são sempre cotados para um cargo político, mas têm desistido para trabalhar pelo candidato da família. Buega Gadelha, que preside a entidade na Paraíba, foi recentemente para o PSC sob especulações de que sairia candidato ao Senado. O aval para a candidatura, no entanto, depende do seu irmão, o deputado federal Marcondes Gadelha (PSC-PB).
No último pleito, Buenga desistiu de se candidatar para se dedicar à campanha do irmão. Caso parecido acontece no Paraná, onde o presidente da federação da indústria no estado, Rodrigo Rocha Loures, é tido como provável candidato ao Senado, mas nos últimos anos tem preferido usar a visibilidade e o trânsito com o empresariado para eleger seu filho, hoje deputado federal pelo PMDB, Rocha Loures. Principal interlocutor do meio industrial, o presidente da federação das indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também pretende disputar a eleição. Concorrerá ao governo paulista pelo PSB se o deputado Ciro Gomes, líder do partido socialista, disputar a corrida ao Palácio do Planalto.