Politica

Governo sabia dos apagões desde 2004

postado em 14/11/2009 08:00
O governo já sabia, desde 2004, do risco de apagão nas regiões onde o incidente ocorreu na última terça-feira, mas nada foi feito para impedir o blecaute. E não foi por falta de aviso. O Tribunal de Contas da União (TCU) e o próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertaram, reiteradas vezes, que as linhas de transmissão que levam a energia elétrica gerada pela usina de Itaipu até São Paulo ; mais especificamente os trechos de Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e Itaberá a Tijuco Preto (SP), que são exatamente os mesmos que originaram o apagão que acabou atingindo 18 estados brasileiros ; precisavam de investimentos urgentes. Caso contrário, não suportariam o aumento de sobrecarga se duas das três torres que fazem a transmissão de energia nos locais fossem afetadas por ventos fortes e tornados, comuns naquela região. As informações estão disponíveis nos sites do TCU e do ONS.

Agora começa a fazer sentido por que o governo insiste em culpar só o ;santo do tempo; pelo apagão que deixou uma conta de R$ 334 milhões, calculando apenas o custo da interrupção da geração de energia. A explicação dada na última quarta-feira de que fenômenos atmosféricos ; como ;descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá; ; seriam os únicos vilões do apagão, como fez questão de frisar o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, na quarta-feira, com o respaldo do diretor de operações do ONS, Eduardo Barata, que replicou a versão diversas vezes, fica cada vez mais frágil.

A interpretação que pode ser feita, então, é que algum raio ou qualquer outro fenômeno da natureza pode até ter sido o gatilho inicial do problema do apagão, mas se o sistema estivesse robusto o suficiente e com a manutenção adequada, jamais teria parado de funcionar com uma ocorrência simples como essa. E muito menos proliferado para quase todo o país. Fora isso, para reforçar as torres de transmissão na região de Itaberá seriam necessários fazer cortes de luz, que sempre trazem incômodos para a população, o que traria uma repercussão negativa para a imagem da ministra.
[SAIBAMAIS]
Descrédito
Desde que veio a público, a explicação oficial do governo para o apagão não convenceu especialistas do setor elétrico, que argumentaram que se um raio é capaz de derrubar o Sistema Interligado Nacional (SIN), estamos em apuros. Há descrédito também dentro do próprio governo, a exemplo do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que reconheceu que falta uma ;explicação cabal; para a pane nas linhas de transmissão.

Até o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, disse não entender por que o sistema não funcionou da forma esperada para isolar o defeito em São Paulo; e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, por sua vez, afirmou que deve ficar pronto até o fim do ano um sistema de emergência para o setor de telecomunicações, a fim de evitar que problemas como a falta de energia elétrica prejudiquem a prestação do serviço no país. E o governo bancou a versão mesmo depois de o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), órgão vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, ter divulgado nota afirmando que as chances de um raio ter causado a pane eram ;mínimas;.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação