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Documentos alertavam sobre necessidade de investimentos para que fosse evitado apagão

postado em 14/11/2009 08:01

Um apagão nas linhas de transmissão que levam energia elétrica de Foz do Iguaçu, no Paraná, às subestações de Itaberá e Tijuco Preto, no interior de São Paulo, era uma bomba-relógio que explodiria a qualquer momento. Os relatórios do Tribunal de Contas da União e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não deixam dúvida de que, se as torres de transmissão não fossem reforçadas, o sistema poderia entrar em colapso diante de alguma intempérie no local. Daí a necessidade de se fazer investimentos, que nunca saíram do papel.

O TCU foi o primeiro a fazer o alerta. Em 2004, ao analisar suspeitas de irregularidades nos contratos emergenciais feitos por Furnas no período de 1997 a 2000, para reparação de várias torres de transmissão, o ministro do tribunal Ubiratan Aguiar, que assina o relatório, considerou que as obras eram necessárias. Ele argumentou que deveria ser levada em conta a urgência das obras de reforço das torres do Sistema de Transmissão de Itaipu ;com vistas a se evitar novos acidentes, cuja extensão e consequências, embora imprevisíveis, certamente seriam desastrosas para o país;.

O aviso data de cinco anos atrás, mas se trazido para os dias de hoje, está mais atual do que nunca. O ministro ponderou que as obras emergenciais tiveram como alvo o reforço de 149 torres do sistema. Isso porque, tomando por base informações enviadas por Furnas, o TCU relata que, em 1982, ventos fortes destruíram 39 torres do sistema e novas ocorrências entre novembro de 1997 e abril de 1998 derrubaram outras 17 torres, o que levou ao desligamento de alguns circuitos por até seis dias e meio. Segundo o relatório, outras 10 torres já haviam caído em anos anteriores.

Reforço
Em 2004, relatório de planejamento do setor elétrico, feito pelo ONS, chamou a atenção para o reforço das torres de transmissão do circuito de Itaipu para São Paulo. As obras de reforço estrutural das linhas Iguaçu-Ivaiporã e Ivaiporã-Itaberá, pertencentes a Furnas, seriam realizadas em cinco meses. Em junho de 2005, porém, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) averiguou que, naquele ano, não houve nem previsão nem gastos para reforçar as torres. A justificativa apresentada por Furnas é que o empreendimento dependia de autorização do ONS para o desligamento das linhas de transmissão ;para que os reforços nas torres sejam (fossem) efetuados;, o que não ocorreu em 2005.
[SAIBAMAIS]
No planejamento da operação elétrica para o período de janeiro de 2008 a abril de 2009, o ONS, mais uma vez, previu o reforço de torres no sistema de transmissão de Itaipu. E, dessa vez, o cenário traçado era ainda mais grave, pois o ONS fez também uma avaliação sobre um novo esquema de emergência para evitar falhas, caso duas das três torres fossem afetadas por ventos fortes e tornados, comuns na região que originou o apagão.

De acordo com o documento, as torres de transmissão que ligam Foz do Iguaçu ao município de Ivaiporã (PR) até poderiam suportar uma queda dupla, mas o trecho seguinte, de Ivaiporã a Itaberá (SP) e Tijuco Preto (SP) não aguentaria (veja fac-símile).

Relatório do ONS aponta riscos de sobrecarga nas linhas de transmissão nas regiões que originaram o apagão

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