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Correio Braziliense

Carlos Minc: o ministro do falatório

Minc é popular no Congresso, compareceu 44 vezes a comissões, mas a alta frequência não se traduz em resultado


postado em 07/12/2009 08:29

Figura constante em audiências e cafés da manhã do Congresso, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, é um dos mais populares do governo Luiz Inácio Lula da Silva circulando pelos corredores do parlamento. Nada mais do que 44 audiências constam no currículo do ambientalista desde que assumiu a pasta, em maio de 2008.

Apesar de se envolver em debates polêmicos como o do Código Florestal, das mudanças climáticas e das queimadas na floresta Amazônica, a alta frequência nem sempre traz bons resultados, segundo parlamentares insatisfeitos. A maioria deles integra a bancada ruralista.

A briga comprada com o setor é antiga e deixou sinais mais evidentes no Congresso em maio deste ano. Em cima de um carro de som, no meio de manifestação de movimento social ligado à agricultura familiar, chamou de vigaristas os grandes produtores rurais. O pronunciamento rendeu uma convocação na Comissão de Agricultura da Câmara, com direito a pedido de afastamento do cargo.

A troca de insultos chegou aos ouvidos do presidente Lula, que pediu o fim da “algazarra”. Ao conversar a sós com o presidente, ele defendeu o cargo e disse que ia ficar firme, apesar de pedirem “seu pescocinho”.

Há 13 dias, o ministro parecia ter feito as pazes com o setor ao dizer que o agronegócio será um aliado na redução dos gases de efeito estufa e na preservação do meio ambiente. Mas o presidente da Frente parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), mostrou-se descontente com o discurso. “A palavra dele vale pouco por aqui. Se ele cumprisse o que fala nas audiências poderia fazer alguma coisa para conciliar a agricultura e o meio ambiente, mas, por enquanto, ele só atrapalha”, dispara o parlamentar.

Confuso
O último encontro registrado no Congresso entre o ministro e o setor do agronegócio rendeu três horas de falatório e pouco resultado. “Ele não deu muitas explicações sobre a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais no Brasil, que começa a valer a partir do próximo dia 11, mas ainda não teve sinalização do governo para prorrogação”, sublinha o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS).

“Ele confunde falando uma coisa e fazendo outra. Ele só atrapalha os debates com a agricultura porque não entende da realidade”, conclui o parlamentar gaúcho. A insatisfação gerou uma nova convocação do ministro ambientalista na comissão que debate o código florestal.

Valdir Colatto cobra um pacto com Minc sobre os créditos de carbono. “O ministro precisa voltar nesta comissão e discutir conosco as emissões de CO². Ele (Minc) precisa detalhar a questão do crédito de carbono do nosso ativo ambiental. É necessário que se inclua o crédito de carbono também nas florestas nativas, nas florestas que mantemos em pé”, defende o catarinense.

Nos corredores do Congresso, o ministro do Meio Ambiente é visto como o homem que molda o discurso de acordo com a plateia. Um político que se vale de frases de efeito e aproveita as situações para se manter no noticiário. Em maio, levantou nova polêmica ao participar de uma marcha em prol da descriminalização da maconha no Rio de Janeiro. Resultado: teve de se explicar à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. “Sou midiático, sim, acho que é uma maneira de manifestar as ideias”, afirma o ministro.

Fundo Climático
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou, em São Paulo, a sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Lei do Fundo de Mudanças Climáticas, com orçamento de R$ 1 bilhão ao ano. “Esses recursos são provenientes da indústria petroleira, é 10% do lucro do petróleo. O Brasil vai chegar em Copenhague como o primeiro país com um fundo para mudanças climáticas com recursos do petróleo”, disse Minc. Segundo o ministro, hoje será assinado com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) o Pacto da Carne Legal e Sustentável.

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