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Correio Braziliense ELEIÇÕES

Ajustes para impor Temer como vice


postado em 22/01/2010 07:03

Os integrantes do PMDB partidários da indicação do presidente da legenda, Michel Temer (SP), para a vaga de vice na chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff ao Planalto estão realizando uma verdadeira ofensiva para unir o partido em torno do presidente da Câmara. Como a discussão sobre a vaga desperta divisões na legenda, a estratégia do momento é centrar esforços para manter Temer à frente da Presidência do partido sob um discurso de unidade. Para isso, vale até pedir o apoio da cúpula do Senado, que vinha trabalhando nos bastidores pelo nome do ministro Hélio Costa como vice. O líder da legenda no Senado, Renan Calheiros (AL), que não mantém relações próximas com Temer, recebeu do partido a missão de pensar e conduzir a formação da chapa que vai disputar a eleição para a Presidência da legenda no próximo dia 6.

A presença de Renan nas discussões sobre os nomes que vão compor a nova direção do partido é vista como estratégica pelos peemedebistas da Câmara. Primeiro, porque ele sempre foi um dos mais simpáticos à ideia de Hélio Costa ocupar a vaga na chapa de Dilma, já que atuou na nomeação de Costa para o Ministério das Comunicações. Em segundo lugar, o PMDB da Câmara acredita que atrair o senador para o grupo de apoio a Temer na eleição interna pode provocar uma aproximação capaz de agregar o apoio de outros senadores à tese de impor o nome do presidente da Câmara ao PT.

Desafinados
Apesar das articulações dos deputados, os discursos sobre a indicação do vice de Dilma ainda não estão completamente afinados. “Convidamos o Renan e ele será o responsável pela formação da única chapa nessa disputa, que será encabeçada pelo presidente da Câmara. O papel dele é importante porque traz o Senado e vai pensar na direção da legenda com o próprio Temer. Por isso, damos como certo o consenso em nossa eleição interna e, consequentemente, na indicação do nome do vice”, diz o líder da legenda na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

“Vamos trabalhar pela união da legenda na escolha do nosso presidente. Vou participar desse processo. Acho que a unidade é importante, mas isso não é a mesma coisa de discutir um nome para lançar como vice da ministra Dilma. É cedo. Não é bom antecipar esse debate. Cada coisa deve ser discutida no seu tempo”, contrapõe o senador alagoano, mostrando que o consenso em torno de Temer ainda não significa convergência sobre o nome que será indicado para a disputa eleitoral.

Para Alves, no entanto, a afinação será questão de tempo, visto que Hélio Costa teria dito em uma carta que não se interessa pela vaga porque está decidido a disputar o governo de Minas Gerais. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, outro possível postulante à vaga de vice na chapa governista, já entendeu que a maioria do partido pretende apoiar

Temer. “No jantar do partido na última quarta-feira, o Hélio mandou uma carta apoiando Michel e dizendo que pretende sair para o governo de Minas. Meirelles também foi ao encontro e declarou apoio ao presidente Michel. Acho que não tem mais discussão”, afirma Henrique Eduardo Alves.

Prós e contras dos possíveis vices

MICHEL TEMER (SP)
# Controla grande parte do PMDB e conta com o apoio da bancada na Câmara dos Deputados
# Contra ele pesa a avaliação de que não agregaria muitos votos à ministra. Não é visto como carismático e, apesar das tentativas, não conseguiu consenso de senadores em torno do seu nome

HÉLIO COSTA (MG)
# É considerado bom de voto e capaz de agregar votos de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, à chapa da ministra Dilma.
Além disso, conta com a simpatia da cúpula governista
# Contra ele está a pressão da bancada do PMDB na Câmara, que não apoia o nome de um senador para a vaga de vice

HENRIQUE MEIRELLES (GO)
# É citado como o nome preferido do presidente Lula. Os governistas acreditam que ele seria capaz de agregar apoio de setores econômicos à campanha da ministra Dilma
# Entre os argumentos dos que resistem ao seu nome estão a falta de experiência política do presidente do Banco Central e o fato de ser novato na legenda

» Problema triplicado

As articulações em torno do fortalecimento do nome de Michel Temer dentro do partido começaram em dezembro, depois que o presidente Lula defendeu publicamente que o PMDB apresentasse uma lista tríplice de nomes para o posto de vice na provável chapa de Dilma Rousseff como candidata à Presidência da República. Na ocasião, o presidente afirmou que o PMDB não deveria impor um nome, já que a relação entre candidato e vice é semelhante a um casamento. “O correto é o PMDB discutir dentro do partido e indicar três nomes para a ministra Dilma, para que ela escolha. Isso porque quem vai se casar com o vice é a candidata”, disse. As declarações irritaram a cúpula do PMDB, que recebeu pedidos de desculpas de ministros e de líderes do governo. Lula nunca mais falou no assunto.

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