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Correio Braziliense

Ciro Gomes: um candidato sem palanques

PSB tem, até agora, apenas 10 pré-candidatos a governos estaduais, o que atrapalha eventual campanha de Ciro Gomes à Presidência da República


postado em 08/02/2010 08:09

Ciro faz pose para foto oficial do Congresso: petistas apostam na ausência de força política do PSB na maioria dos estados para convencê-lo a desistir do Planalto(foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press )
Ciro faz pose para foto oficial do Congresso: petistas apostam na ausência de força política do PSB na maioria dos estados para convencê-lo a desistir do Planalto (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press )
A vontade do deputado e ex-ministro Ciro Gomes (PSB-CE) de ser candidato à Presidência da República esbarra na falta de palanques fortes nos estados para fazer campanha em outubro. Levantamento feito pelo Correio aponta que o PSB, até o momento, não tem pré-candidatos a governos estaduais em 17 das 27 unidades da federação. Esses lugares correspondem a potenciais 76,8 milhões de votos a conquistar no universo de 132 milhões do eleitorado brasileiro — 60% do total. Os petistas apostam na falta de palanques regionais, um dos principais termômetros para avaliar o potencial de crescimento de uma campanha, para demover Ciro do projeto presidencial.

Desde que o PSB aclamou-o como candidato em novembro passado, o ex-ministro não firmou qualquer aliança com outros partidos. Enquanto isso, o PT da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, costurou um amplo leque de alianças regionais — a escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo já tem palanques garantidos nos 26 estados e no Distrito Federal. Lula, que deseja Ciro fora do páreo, quer uma disputa plebiscitária entre Dilma e José Serra, governador de São Paulo e candidato do PSDB. Apesar da pressão nas últimas semanas dos petistas, só em março Ciro e os socialistas vão decidir se retiram a candidatura.

O socialista não conta com palanques em importantes colégios eleitorais brasileiros. São os casos do segundo, terceiro, quarto e sexto estados em números de votantes: Minas Gerais (14,1 milhões), Rio de Janeiro (11,3 milhões), Bahia (9,2 milhões) e Paraná (7,3 milhões). Só esses quatro estados representam quase um terço dos eleitores no país. Ao todo, são 15 estados onde o PSB não tem candidatura própria. Em outros dois, o Rio Grande do Sul (5º colégio, com 7,8 milhões de votantes) e o Distrito Federal (20º colégio, com 1,7 milhão), o partido cogita lançar aos governos os deputados Beto Albuquerque e Rodrigo Rollemberg, atual líder da bancada, para reforçar os palanques de Ciro.

Mesmo nos estados em que o partido dele é forte, pequenos e médios colégios eleitorais, Ciro também terá dificuldades. Em Pernambuco, por exemplo, o governador e presidente do partido, Eduardo Campos, estimula Ciro. Mas não pretende que o projeto presidencial crie embaraços para sua reeleição ao Executivo — o PT, que pelo arranjo no estado terá direito a uma vaga ao Senado, cogita lançar candidato ao Palácio Campo das Princesas caso Ciro saia a presidente. No Rio Grande do Norte, o PT pode retirar apoio à candidatura de Iberê Ferreira, vice-governador pelo PSB. O irmão de Ciro e candidato à reeleição ao Ceará, Cid Gomes, pode ter sua campanha esvaziada, uma vez que Dilma e Lula se comprometeram a apoiá-lo. Cid teria, então, de se desdobrar em dois palanques (veja quadro).

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 29 milhões de eleitores, o deputado pelo Ceará está entre a cruz e a espada. Ciro mudou o domicílio eleitoral em setembro para lá a fim atender um apelo de Lula: tornar-se candidato ao governo paulista. Mas o ex-ministro diz não querer. Em compensação, o pré-candidato do PSB e presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, patina com no máximo 2% das intenções de voto numa disputa polarizada entre o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e um candidato do PT, possivelmente o senador Aloizio Mercadante ou a ex-prefeita da capital Marta Suplicy.

Alianças distantes
Dirigentes do PSB estão cientes de que as negociações para possíveis alianças partidárias para a chapa de Ciro Gomes caminham a passos lentos. Até o momento não há um acerto formalmente fechado. O acordo com outras legendas é fundamental para aumentar o número de palanques de Ciro e o tempo de TV do candidato nas eleições — o PSB sozinho tem em torno de dois minutos e meio no primeiro turno. O senador Renato Casagrande, secretário-geral do PSB e pré-candidato ao governo capixaba, afirma que a candidatura dele teria um efeito cascata. Ajudaria aumentar de 27 para 40 a bancada de deputados e conquistar mais do que as atuais duas vagas ao Senado.

Desde dezembro, dirigentes do PSB tiveram conversas informais com integrantes do PDT, do PP e do PTB. Além de Casagrande, comandam as negociações o presidente do PSB, Eduardo Campos, e o ex-ministro e vice-presidente do partido, Sérgio Amaral. Todas sem avanços. No fim de janeiro, a Executiva do PDT aprovou por unanimidade a aliança presidencial com o PT de Dilma. A decisão deve ser confirmada no próximo mês pela Direção Nacional e oficializada na convenção de junho. “Acho muito difícil, não digo impossível, que o PDT possa ter uma outra postura na eleição presidencial”, afirmou o presidente em exercício do partido, deputado Vieira da Cunha (RS).

Comícios de menos
Saiba como está a delicada situação dos 10 candidatos ao governo pelo PSB:

AMAPÁ
Eleitorado
— 392.112 votos (0,297%)
Camilo Capiberibe
O clã Capiberibe quer lançar o deputado estadual Camilo Capiberibe, mas partidos da base aliada — PDT, PTB e PP — podem ter candidatura.

AMAZONAS
Eleitorado
— 1.947.535 votos (1,475%)
Serafim Corrêa
O ex-prefeito da capital Serafim Corrêa é um dos quatro nomes entre as legendas governistas. Nos bastidores, Serafim articula palanque para Serra.

CEARÁ
Eleitorado
— 5.711.229 votos (4,325%)
Cid Gomes
Uma complicação familiar. Lula e Dilma devem fazer campanha no estado para reeleger o irmão de Ciro, Cid Gomes (PSB). Mas a candidatura do deputado pode esvaziar o palanque do irmão.

ESPÍRITO SANTO
Eleitorado
— 2.466.566 votos (1,868%)
Renato Casagrande
O PSB pretende lançar o senador Casagrande para derrotar o
vice-governador Ricardo Ferraço, correligionário de Paulo Hartung (PMDB) e do petista João Coser.

MATO GROSSO
Eleitorado
— 2.026.855 votos (1,535%)
Mauro Mendes
O empresário Mauro Mendes, ex-aliado do governador Blairo Maggi, que deverá ter como candidato o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) é uma opção de palanque a Ciro.

PARAÍBA
Eleitorado
— 2.666.752 votos (2,019%)
Ricardo Coutinho
O prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, já se lançou candidato contra o governador José Maranhão (PMDB), candidato à reeleição.

PERNAMBUCO
Eleitorado
— 6.104.067 votos (4,622%)
Eduardo Campos
O governador e presidente do PSB, Eduardo Campos, resiste nos bastidores a dar palanque a Ciro no estado porque sua candidatura atrapalharia os planos de composição da base aliada, inclusive com o PT, no estado.

PIAUÍ
Eleitorado
— 2.196.742 votos (1,664%)
Wilson Martins
O governador Wellington Dias (PT) pretende lançar o vice, Wilson Martins (PSB). A entrada de Ciro pode embaralhar, uma vez que o atual governador aposta que o palanque de Martins será de Dilma Rousseff

RIO GRANDE DO NORTE
Eleitorado
— 2.179.196 votos (1,65%)
Iberê Ferreira
A governadora Wilma Faria (PSB), candidata ao Senado, espera fazer do vice, Iberê Ferreira, seu sucessor. O acerto teria o apoio do PT, mas poderá ser revisto se Ciro concorrer à Presidência.

SÃO PAULO
Eleitorado
— 29.534.222 (22,365%)
Paulo Skaf
Numa disputa polarizada entre PT e PSDB, Ciro teria um palanque no estado sem grandes alianças, capitaneado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf.

Fonte: TSE (dados de dezembro de 2009)

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