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Correio Braziliense

FHC questiona a capacidade de Dilma

Ex-presidente reforça a tese de que a ministra seria um "boneco" manipulado por Lula, sem poder de liderança. Governo minimiza efeito do argumento


postado em 09/02/2010 08:32 / atualizado em 09/02/2010 11:45

O governo minimizou ontem as novas críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O tucano comparou o perfil da mãe do PAC, que disputará um cargo público pela primeira vez, ao do pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador de São Paulo, José Serra. Para ele, o tucano leva vantagem por ser confiável. Lula, por sua vez, tem como estratégia comparar a gestão petista, com enfoque nos avanços sociais, e o governo tucano de 1995 a 2002.

Para Fernando Henrique, Serra é competente e inspira confiança. Dilma, por não ter ocupado cargo eletivo, não(foto: Luludi/Agência Luz/D.A Press )
Para Fernando Henrique, Serra é competente e inspira confiança. Dilma, por não ter ocupado cargo eletivo, não (foto: Luludi/Agência Luz/D.A Press )
“Enquanto a oposição não falar o que quer fazer para o Brasil daqui para a frente, nós só temos que comparar com o que eles fizeram. A única coisa que foi dita é que querem acabar com o PAC, mudar a meta de inflação, mexer na taxa de câmbio, rever juros”, afirmou o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, após reunião de coordenação com o presidente Lula.

Em evento na capital paulista, o ex-presidente Fernando Henrique questionou a capacidade de liderança da ministra Dilma Rousseff, que nunca se candidatou a cargo público. “Pode até vir a ser uma líder, mas por ora não é. Por enquanto, é o reflexo de um líder”, atacou o sociólogo. O tucano ressaltou, em contrapartida, a liderança de José Serra como ministro da Saúde, prefeito e governador de São Paulo. “Simplesmente estou dizendo que, para mim, Serra é competente, um líder que inspira confiança. A outra, para mim, ainda não.” As críticas do sociólogo foram vistas por parte da base como boa oportunidade para associar a imagem de FHC à de José Serra, e fortalecer a estratégia petista de polarizar a discussão entre as duas gestões.

A troca de farpas teve início no fim de semana, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo, teceu duras críticas à tática petista de polarizar o debate eleitoral. “O presidente passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades”, diz o texto publicado no jornal O Estado de S. Paulo, intitulado Sem medo do passado. O sociólogo afirma que Lula distorce os feitos do governo tucano e cita como
A pré-candidata de Lula gosta da ideia de comparar as gestões(foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
A pré-candidata de Lula gosta da ideia de comparar as gestões (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
exemplo a estabilização da moeda, a lei de responsabilidade fiscal e a modernização da Petrobras. “Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer”, escreveu. Em encontro com a juventude petista, a ministra reconheceu que houve avanços no governo tucano, mas defendeu que o PT oferece um “caminho melhor”.

Marionete
Ainda no fim de semana, o sociólogo comparou a ministra a um “boneco” e apontou o presidente Lula como seu ventríloco. Ontem, os aliados preferiram ignorar as críticas. “Pelo que tenho visto, tanto na ministra Dilma quanto no presidente, o impacto é o mesmo da queda de um pingo de chuva no Lago Paranoá”, ironizou o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), após reunião com o presidente.

"A Dilma pode até vir a ser uma líder, mas por ora não é. Por enquanto, é o reflexo de um líder"
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

"Pelo que tenho visto, tanto na ministra Dilma quanto no presidente, o impacto dessa declarações é o mesmo da queda de um pingo de chuva no Lago Paranoá"
Hélio Costa (PMDB), ministro das Comunicações

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