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Correio Braziliense

Alencar critica e cobra união

Em passagem por Minas, vice-presidente enxerga omissão do governo mineiro com a Zona da Mata e apela ao entendimento entre PT e PMDB na tentativa de evitar palanque duplo


postado em 24/02/2010 08:18

Alencar negou que seja opção ao governo mineiro e espera resultados de exames para definir rumo político(foto: Renato Weil/EM )
Alencar negou que seja opção ao governo mineiro e espera resultados de exames para definir rumo político (foto: Renato Weil/EM )
O vice-presidente da República, José Alencar, disse nessa terça (23/2) que se não houver união da base aliada a ministra Dilma Rousseff terá dois palanques em Minas Gerais. A fala contradiz o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), um dos pré-candidatos ao Palácio da Liberdade, que descartou anteontem a possibilidade de duas candidaturas da base no estado e cobrou pressa do bloco PT-PMDB. Para ele, “quando não há desprendimento dos homens públicos, as dificuldades são maiores”. Em Minas, a base está dividida entre Costa e os pré-candidatos do PT, Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social, e o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel.

Segundo Alencar, o presidente Lula gostaria que houvesse um único palanque para Dilma. “Mas política é a arte do possível”, comentou o presidente em exercício, que está em Minas participando de compromissos oficiais. Ontem, esteve em Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte, para o lançamento da pedra fundamental do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR).

Designado por Lula para conduzir as conversas com aliados para a formação de uma chapa estadual no estado, Alencar(1) acabou tendo o nome lançado por algumas lideranças do PT, PMDB e PCdoB como pré-candidato ao governo. A tendência, contudo, é que ele dispute uma vaga no Senado. Ontem, ele destacou mais uma vez que não é candidato ainda e disse que só pretende decidir seu destino político depois do resultado de exames médicos que sairão em 17 de março. Segundo ele, as análises vão comparar o estágio de sua doença antes e depois do tratamento iniciado no ano passado. O presidente luta contra um câncer.

“Não sou candidato a governador. Estou em tratamento e não posso colocar meu nome se não estiver curado.” Em caso de boas notícias na área médica, entretanto, Alencar admite mudar de ideia. “Estou bem de saúde e meu tratamento tem sido um sucesso, um verdadeiro milagre, graças às orações de toda a população. Se isso realmente for confirmado, preciso fazer algo a mais pelo país.”

Primeira pessoa
Apesar da negativa inicial, Alencar posou de candidato ao ensaiar críticas ao governo estadual durante passagem pela sua região natal, a Zona da Mata. Segundo ele, a área está “esquecida” e enfrentando dificuldades financeiras apesar de já ter sido um dos celeiros da economia mineira. Questionado se era uma crítica ao governador Aécio Neves (PSDB), esquivou-se. “Vamos dizer que ela foi esquecida por nós, na primeira pessoa do plural”, disse. Hoje, Alencar participa em Belo Horizonte de almoço com empresários e segue para São Paulo para mais uma sessão de quimioterapia.

1 - Combate à impunidade
Questionado pelos jornalistas a respeito do escândalo de pagamento de propinas no governo do Distrito Federal, Alencar se negou a fazer críticas. “Todas as vezes que acontece algum problema, em qualquer esfera de poder, há um aborrecimento grande para os homens de bem, que desejam recuperar a credibilidade política das instituições”, disse.

De acordo com o presidente em exercício, a imagem de que o Brasil tem como característica a impunidade deve ser combatida.

"Quando não há desprendimento dos homens públicos, as dificuldades são maiores"

Hélio Costa (PMDB), ministro das Comunicações, sobre a dificuldade de chegar a um entendimento com o PT

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