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Onze ministros de Lula entregam os cargos hoje para embarcar na briga por votos

Diego Abreu
Danielle Santos
Flávia Foreque

Além de Dilma Rousseff, que deixa hoje o governo para se dedicar à campanha, outros dez ministros entregarão os cargos por pretenções eleitorais. Indeciso até o início da tarde de ontem, Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) decidiu, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixar a pasta para ser pré-candidato ao governo de Minas Gerais. Ele vai disputar a indicação no PT mineiro com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel.

A saída de Patrus abriu espaço para Márcia Lopes, 52 anos, irmã do chefe de gabinete do presidente Lula, comandar uma das pastas mais estratégicas da Esplanada, cuja principal função é gerir o Bolsa Família, programa de transferência de renda que atende a mais de 10 milhões de brasileiros, e cuidar de um orçamento anual de R$ 39 bilhões. Casada e mãe de quatro filhos, a paranaense Márcia Helena Carvalho Lopes exerceu a função de secretária executiva do MDS entre janeiro de 2005 e o fim de 2007. Antes, foi secretária Nacional de Assistência Social da pasta e vereadora em Londrina. É filiada ao PT e especialista na área de crianças e adolescentes. Vai herdar o cargo de Patrus porque a atual secretária executiva, Arlete Sampaio (PT-DF), tentará uma vaga de deputada distrital.

A troca de cadeiras ocorre três dias antes do prazo final estabelecido pela Lei Eleitoral. A posse dos novos ministros está marcada para as 11h de hoje, no Itamaraty. As transmissões de cargo serão à tarde.

Braço direito
Indeciso pela candidatura a deputado ou senador pelo Ceará, José Pimentel (PT) deixa o cargo de ministro da Previdência para o secretário executivo, Carlos Gabas. Funcionário de carreira há 15 anos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), é filiado ao PT e, há dois anos, o braço direito de Pimentel. Durante a campanha de reeleição de Lula, em 2006, Gabas foi responsável por coordenar o programa de governo na área da Previdência. Conhecido como um homem bem-humorado, chegou a brincar ontem, durante a inauguração do novo prédio do INSS, em Brasília, ao dizer que tinha apenas 20 convites para a posse. Gabas será o primeiro servidor de carreira a ocupar a vaga de ministro.

A lista de novos ministros também inclui nomes não tão novos. O secretário executivo de Transportes, Paulo Sérgio Passos, que vai substituir Alfredo Nascimento (PR-AM), exerceu a função de ministro de março de 2006 a março de 2007. Filiado ao PR e funcionário de carreira da pasta desde a década de 1970, Passos é mais um dos novos mandatários da Esplanada com perfil técnico.

O ministro Edson Santos, da Secretaria Especial de Igualdade Racial, vai entregar o posto para o secretário executivo, Eloi Ferreira de Araújo. Nascido em Itaperuna (RJ), Araújo é graduado em zootecnia e filiado ao PT. Está no governo desde 2008.

Ouça trechos da entrevista com o ministro Patrus Ananias


O feudo do PMDB

A troca de cadeiras do governo Lula mantém o PMDB fortalecido na Esplanada. O partido conseguiu emplacar ontem o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, para o cargo de ministro da Agricultura, em substituição a Reinhold Stephanes. Paulistano de 67 anos, ele foi empresário e produtor rural por mais de trinta anos, e parlamentar por cinco legislaturas, até 2002.

Geddel Vieira Lima, que deixa o Ministério da Integração Nacional para se candidatar ao governo baiano, emplacou o apadrinhado João Santana, secretário executivo da pasta. Filiado ao PMDB, Santana já presidiu o partido na Bahia. É engenheiro eletricista e participa desde o início do projeto de transposição do Rio São Francisco.

Ontem, uma romaria de ministros-candidatos se deslocou para o Centro Cultural Banco do Brasil, sede da Presidência, para conversar com Lula e definir os nomes que assumirão as pastas. Após esperar por mais de uma hora, o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), teve o encontro adiado para hoje. É quando tenta convencer o presidente a promover o peemedebista José Artur Leite, chefe de gabinete da pasta.

Apesar de não ser filiado a nenhum partido, o secretário executivo Márcio Zimmermann assume hoje o Ministério de Minas e Energia, em substituição a Edison Lobão. A promoção de Zimmermann é encarada como mais uma vitória do PMDB, pois, além de aliado de Lobão, é alinhado com o grupo do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que exerce influência no setor elétrico brasileiro. Catarinense, o novo ministro é engenheiro elétrico da Eletrosul desde 1980. Sua indicação agrada aos funcionários do ministério.

Ontem, o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, foi convencido por Lula a ficar no governo. Ele pensava em sair candidato a deputado federal no Rio Grande do Sul.