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PSDB reticente, governo celebra

Pesquisa que mostra empate técnico entre Dilma e Serra, mas com a petista à frente, leva tucanos a desvalorizar sondagens e governistas a comemorar o avanço da ex-ministra

Pré-candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) preferiram não comentar o resultado da pesquisa Vox Populi divulgada ontem pelo Correio. O levantamento coloca, pela primeira vez, a petista à frente do tucano, com 38% das intenções de voto contra 35%. ;Pesquisa é resultado de momento. Não comentei antes e não vou comentar agora. Acho que não podemos usar a pesquisa como avaliação de campanha, nem subir no salto alto;, disse, em Salvador, a ex-ministra da Casa Civil. No Twitter, Dilma agradeceu aos internautas que a cumprimentaram pelo resultado. ;Pesquisa é o tempo inteiro. Daí, eu viro comentarista de pesquisa em vez de fazer o meu trabalho;, respondeu Serra aos jornalistas, na madrugada de domingo, durante a Virada Cultural em São Paulo.

O crescimento das intenções de voto da pré-candidata do PT, entretanto, acendeu o alerta entre os aliados de Serra. A tática tucana é desqualificar qualquer levantamento que aponte o ex-governador de São Paulo atrás ou mesmo empatado com a petista. O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (PSDB-BA), minimiza o resultado. ;Já estou olhando com reticência essa pesquisa. Não gosto de brigar com números, cada um tem a responsabilidade pelo que faz. De modo geral, pode ter uma pequena variação, o que nós vamos ter mesmo é lá na frente, quando começar o horário eleitoral. Por enquanto, são indicações obtidas por sondagens com critérios os mais diversos.;

O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) é mais enfático. ;Do jeito que estão as pesquisas, elas se tornaram ferramenta de campanha. Não é mais um instrumento do cidadão. Funcionam como se fosse um programa de televisão, uma ação na internet, um panfleto. Nós não acreditamos mais em pesquisa eleitoral;, disse, cobrando uma investigação nos institutos de pesquisas. ;Estou decepcionado e até enojado.;

Afinação
Segundo os governistas, a estratégia da oposição de rejeitar resultados que não os favoreçam vai durar até os institutos afinarem o discurso em relação aos números. Mas, para os os petistas, o crescimento de Dilma é consequência do esclarecimento do eleitorado, que não conhecia a candidata no início do ano.

Líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirma que Dilma vai crescer ainda mais quando a campanha começar, pois o PT usará o discurso do futuro, da continuidade das conquistas, e Serra terá que se prender às realizações do passado. ;Toda pesquisa é retrato de um momento. Cada vez que a Dilma vai sendo mais conhecida, ela vai crescendo, porque o Serra é oposição. Foi ministro do Fernando Henrique por oito anos e a Dilma por 7 anos e meio do Lula. É a única que pode continuar;, sustenta o petista, que continua comparando as gestões. ;A população vai identificando a Dilma como continuidade e o Serra como oposição. E não é campanha, é pré-campanha. A campanha é pedir voto. Ao falar do futuro, a Dilma leva vantagem;, conclui.


Marta em conflito com Gabeira

; Com o objetivo de tentar diluir a imagem de ex-guerrilheira da
pré-candidata Dilma Rousseff, a ex-prefeita de São Paulo Martha Suplicy (PT-SP) levou o passado do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) a um encontro com a militância na tarde de ontem. Martha afirmou que Gabeira ;sequestrou; e seria ;o escolhido para matar o embaixador;. Em 1969, Gabeira se envolveu no sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick. O pré-candidato do PV ao governo do Rio ficou revoltado com as declarações de Martha e lamentou o ;nível; da campanha. ;Tenho certeza de que ela vai me pedir desculpas como fez com o Kassab;, afirmou, referindo-se ao episódio em que a petista fez insinuações sobre a sexualidade do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM).