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Correio Braziliense

Garotinho "vê" dedo de Cabral

Para o ex-governador, decisão que o tornou inelegível foi pautada pelo atual mandatário


postado em 29/05/2010 08:18

O ex-governador fluminense Antony Garotinho (PR) e a prefeita de Campos dos Goytacazes (RJ), Rosinha Garotinho (PR), vão tentar suspender no início da semana a decisão judicial que os tornou inelegíveis até 2012, por abuso de poder econômico e uso indevido de meio de comunicação. O casal de políticos pretende contestar a sentença do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), alegando supostas irregularidades na abertura do processo. A medida evitaria que os Garotinhos apostassem contra o relógio para reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a tempo de participarem das eleições de outubro. O prazo-limite para inscrição de candidaturas é 5 de julho.

A sentença do TRE-RJ foi divulgada na quinta e, além de tornar inelegível o casal, cassou o mandato de prefeita de Rosinha. Caso a decisão não seja revertida, Campos terá nova eleição para a prefeitura, já que ela foi eleita no primeiro turno, com mais de 50% dos votos. Para os Garotinhos, a decisão dos juízes teve caráter político, de prejudicar a candidatura de Anthony ao governo fluminense. “Cassar uma candidata eleita no primeiro turno por dar uma entrevista para um programa de rádio é absurdo. O pior é que, como o intuito era atingir minha candidatura, tornaram inelegíveis todos os que participaram da entrevista, até os locutores”, disparou.

A estratégia dos Garotinhos para reverter a sentença consiste em apontar uma suposta irregularidade na abertura do processo. Pela lei, somente candidatos, coligações, partidos e o Ministério Público podem entrar com pedido de cassação. O autor do processo, Arnaldo Viana (PDT), teve o registro de candidato à prefeitura impugnado — o que em tese o impossibilitaria de ser o autor da ação. Caso o TRE-RJ não reveja a decisão, o casal terá de recorrer ao TSE. Caso o tribunal não julgue o caso até 5 de julho, Garotinho não poderá se candidatar em outubro.

Pré-candidato ao governo fluminense, Anthony Garotinho entende que a decisão teve as digitais do atual ocupante do Palácio das Laranjeiras, Sérgio Cabral (PMDB). “Não tenho a menor dúvida. As últimas pesquisas mostravam diferença pequena entre eu e o Cabral, de 9% a 12%. E o processo foi julgado justamente no dia em que começavam minhas inserções na tevê”, reclama.

Palanque
Além de polarizar a eleição no Rio entre Cabral e Fernando Gabeira (PV), a decisão do TRE-RJ mexe com a sucessão presidencial. Sem Garotinho, a pré-candidata Dilma Rousseff (PT) teria palanque único no estado e apoiaria apenas a reeleição do atual governador. “Garotinho e Cabral têm nosso apoio. Por enquanto, o panorama da futura campanha não muda”, antecipa o líder do PT na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza.

Internada desde quinta para uma cirurgia de retirada de um nódulo na tireoide, a prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho, permanece em um quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com Anthony Garotinho, a prefeita respondeu bem à intervenção e deve receber alta amanhã.

(foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação)
(foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação)
Agrado aos agricultores

Dilma Rousseff “fez” churrasco, acenou para populares e reforçou o discurso de apoio à agricultura familiar. Tudo durante a passagem da pré-candidata do PT à Presidência pelo 2º Encontro Nacional de Habitação da Agricultura Familiar, em Chapecó (SC). “Hoje temos esperanças reais na agricultura familiar e, de minha parte, compromissos com vocês”, afirmou. Ela citou números comemorados pelo governo Lula, como a retirada de 24 milhões de pessoas da pobreza, a criação de mais de 12 milhões de empregos e a quitação de dívidas internacionais. “E grande parte das mudanças ocorreram na agricultura familiar. É onde mais se reduziu a desigualdade”, argumentou. Segundo ela, a esses agricultores foram dados benefícios, como a multiplicação por cinco no volume de recursos, a criação do seguro e da garantia da safra, além de compra da produção por parte do governo federal. “O governo faz porque é direito de vocês, é justo e significa dignidade e cidadania.”

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