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Correio Braziliense ELEIÇÕES 2010

Falta consenso entre PT e PMDB

Às vésperas da decisão sobre o candidato ao governo de Minas Gerais, peemedebistas decidem não ir a encontro de partidos aliados


postado em 05/06/2010 10:41

Na véspera da definição sobre quem deve ser o candidato da base aliada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, PT e PMDB demonstram que ainda falta sintonia entre as legendas e continuam batendo cabeça. Aliados do ex-ministro das Comunicações Hélio Costa, pré-candidato peemedebista ao Palácio da Liberdade, decidiram boicotar o encontro com partidos aliados marcado para ocorrer amanhã na casa do ex-vice governador do estado Clésio Andrade (PR), na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Parlamentares do PT, do PCdoB e do PR já confirmaram presença.

Presidente do PMDB em Minas Gerais, Antônio Andrade justificou a ausência no encontro dos aliados(foto: Gilberto Nascimento/Agencia Câmara )
Presidente do PMDB em Minas Gerais, Antônio Andrade justificou a ausência no encontro dos aliados (foto: Gilberto Nascimento/Agencia Câmara )
O presidente do PMDB mineiro, deputado federal Antônio Andrade, destacou ontem que não vai comparecer ao encontro marcado para discutir o resultado das pesquisas internas de intenção de voto para o governo estadual. “Agradeço muito o ex-governador, mas nós não iremos porque já havíamos marcado uma reunião do PMDB para a parte da tarde. Além do mais, não entendo por que o PR foi convidado para participar, já que eles não estão tratando do entendimento”, declarou.

Hélio Costa disputa com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) a vaga de candidato ao governo de Minas pela base aliada de Lula. Pelas pesquisas encomendadas pelos dois partidos, o petista está tecnicamente empatado com o pré-candidato do PMDB. Como ainda não há consenso, o imbróglio regional mineiro virou um dos principais obstáculos para a construção de palanque único em favor da ex-ministra Dilma Rousseff, presidenciável do PT.

Irônico, o presidente do PT estadual, deputado federal Reginaldo Lopes, disse ontem que a ausência é um indicativo de que os peemedebistas estão declinando. “Como assim? Eles (peemedebistas) não irão à reunião? Então estão roendo a corda. Isso é ruim porque fica parecendo que eles estão com medo ou que vão jogar a toalha”, comentou.

No início da semana, Costa declarou em Brasília, depois de encontro com o vice-presidente da República, José Alencar (PRB), que, na próxima segunda-feira, as cúpulas nacionais do PMDB e do PT iriam apresentar os nomes que vão formar a chapa majoritária. O anfitrião do encontro, Clésio Andrade, desembarca hoje na capital mineira depois de viagem à Europa. Segundo sua assessoria de imprensa, a reunião está confirmada, mesmo sem a presença de representantes do PMDB.

Na internet
Devido à possibilidade, cada vez mais concreta, de o PT abrir mão da cabeça de chapa e apoiar Hélio Costa, petistas recorreram ontem ao Twitter para deflagrar a campanha “empurrado eu não vou”. A expressão, na verdade, é do ex-presidente da República Tancredo Neves e foi repetida pelo neto dele, o ex-governador Aécio Neves (PSDB), para negar a possibilidade de ser candidato a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB). “Não adianta empurrar, empurrado, eu não vou”, disse Aécio em entrevista concedida em 3 de março. Em 1985, Tancredo usou a frase para responder a pressões feitas pelo então deputado João Amazonas, do PCdoB, para que assumisse posições a favor das reformas de base.

"Como assim? Eles (peemedebistas) não irão à reunião? Então estão roendo a corda. Isso é ruim porque fica parecendo que eles estão com medo ou que vão jogar a toalha”
Reginaldo Lopes, presidente do PT-MG

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