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Correio Braziliense

Após embaraço com frase do vice de Serra sobre ligação entre PT e narcotráfico, PSDB e DEM apoiam o deputado

PT vai acionar a Justiça


postado em 20/07/2010 07:00 / atualizado em 20/07/2010 01:21

» Alana Rizzo » Daniela Almeida » Igor Silveira » Juliana Cipriani O comando da campanha demo-tucana à Presidência resolveu — dois dias depois — incorporar o discurso ensaiado pelo vice Índio da Costa (DEM-RJ), de que o Partido dos Trabalhadores tem ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Em Belo Horizonte, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu o vice e disse que as relações da legenda com o grupo colombiano são de conhecimento de todos. “Tem muitas reportagens, muita coisa”, afirmou Serra. Inicialmente, democratas e tucanos mostraram-se surpresos com a entrevista ao site Mobiliza PSDB, na qual Índio da Costa afirmava que o PT tinha envolvimento com “o que há de pior”, inclusive o tráfico. Ontem, a atitude foi de blindar o parlamentar e conter os ataques petistas. O PT promete três ações — de naturezas cível, criminal e eleitoral — contra o deputado. A decisão foi anunciada pelo presidente do partido, José Eduardo Dutra. Além de processar o político por crime contra a honra e por danos morais, a direção do PT pedirá direito de resposta na página eletrônica do PSDB. Ontem, Índio voltou atrás apenas em termos. Postou no Twitter: “PT não faz narcotráfico. As Farc, sim.” Ao longo do dia, contudo, publicou reportagens que relacionavam o PT às Farc. Segundo fontes ligadas ao comando de campanha tucana, a declaração original de Índio teria sido resultado de uma ação solo. “As coisas não são tão programadas. Nem para o bem, nem para o mal”, disse um integrante do staff de Serra. Em entrevista coletiva em São Paulo, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o PT tenta passar à sociedade que é vítima. “O PT tem relação com as Farc, eu conheço o assunto.” Guerra, contudo, se negou a confirmar que as opiniões de Índio reflitam a posição da campanha, mas garantiu que ele não sofreu represálias. “O que o Índio(1) disse é da responsabilidade dele. Ele é parlamentar, tem direito de manifestar seus pontos de vista. Não vamos aceitar provocação. Vamos é partir para cima deles”, afirmou. Nesse tom, Guerra disse que o partido ingressará com representação na Procuradoria-Geral da República pedindo apuração sobre reportagem publicada pela Veja. O texto da revista indica que haveria imagens que comprovariam reunião entre a candidata petista, Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, e Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal. No ano passado, Lina afirmou que teria recebido um pedido de Dilma para “agilizar” a fiscalização de empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Dilma nega o encontro e o pedido. Na mesma toada, José Serra cobra explicações sobre a quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que teria tido dados fiscais violados para montagem de um suposto dossiê. Justificativa Líder do PSDB na Câmara, o deputado João Almeida (BA) manteve o suporte a Índio. “Todo mundo sabe dessas ligações do PT. Eles é que nunca deram justificativa convincente. Não é assunto novo”, respondeu. O deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) acusou os petistas de tentarem impor a censura na campanha. “O presidente Lula pode falar o que quiser usando a máquina pública que o PT acha lindo. O que não pode é pegar a declaração de um candidato a vice para, a partir disso, criar situações irreais”, defendeu. 1 - Comportamento de um “idiota” O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, não mediu adjetivos para criticar a frase de Índio da Costa. “Acho que o comportamento desse rapaz mostra que ele não está preparado. É ruim, inclusive, para o candidato da oposição colocar uma pessoa que se comporta como idiota”, criticou. A candidata petista à Presidência, Dilma Rouseff, preferiu se afastar da contenda. “Acho impensável que, numa eleição em 2010 no Brasil, desçam a um nível tão baixo. Eu, de minha parte, não descerei a esse nível”, limitou-se. Análise da notícia Ivan Iunes Sarah Palin revivida A cada frase digitada pelo Twitter, ou fala captada pela imprensa, o candidato a vice na chapa de José Serra, o deputado federal Índio da Costa (DEM-RJ), abraça com mais afinco o papel de Sarah Palin em território nacional. Personagem de fama recente, Palin é a ex-governadora do Alasca que, um dia, sonhou ser vice-presidente dos Estados Unidos ao lado de John McCain, pelo partido Republicano. Da mesma forma que acontece com Serra em relação ao DEM e PSDB, McCain não gravitava em torno de uma parcela considerável do eleitorado mais tradicional, alinhado radicalmente à direita. A solução encontrada por lá foi arrumar alguém que representasse tal discurso. Falas moralizadoras e beleza física foram o “DNA” da ex-governadora. McCain perdeu a eleição para Barack Obama, mas deve a Palin a votação expressiva entre os extremistas. Se continuar repetindo parte dos trejeitos da colega americana, Índio não deve se preocupar quanto ao futuro. Palin fixou-se no meio político dos EUA, idolatrada pela parcela conservadora do eleitorado. Índio é, até aqui, o personagem que topou verbalizar anseios da direita mais à direita. Discurso que nenhum tucano parece disposto a bancar. Ouça trecho da entrevista com o deputado José Eduardo Cardozo

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