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Correio Braziliense

Genoino canta vitória na urna

Réu na ação penal no Supremo, deputado petista rompe o silêncio, diz que mensalão não existiu e mostra otimismo para reeleição


postado em 27/07/2010 07:45 / atualizado em 27/07/2010 08:13

Acusado de participar do mensalão petista, réu na ação penal em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) e citado nas cinco ações por improbidade administrativa que tramitam na Justiça Federal do Distrito Federal (DF), o deputado federal José Genoino (PT-SP) espera ser reeleito neste ano com mais facilidade do que em 2006, quando foi conduzido à Câmara com 98,7 mil votos. “Se em 2006, com tudo o que a mídia fez (em relação ao mensalão), eu fui eleito, estou mais otimista em 2010”, disse ontem em entrevista ao Correio.

Sempre que é questionado sobre o mensalão, o ex-presidente do PT na época do escândalo tem uma resposta pronta: “Procure o meu advogado”. Ontem, ao romper o silêncio, Genoino afirmou que o mensalão não existiu, que não fez nada de ilegal e que não é “criminoso”. “Com minha cara, minha história e meu número: é assim que faço campanha. Estou nas ruas pedindo votos.”

O Correio mostrou na edição de ontem que cinco mensaleiros entram na segunda eleição sem qualquer tipo de punição, apesar da dupla acusação, nas esferas cível e criminal. Os cinco candidatos são réus na ação penal do STF pelos crimes de corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha ou lavagem de dinheiro. Na Justiça Federal, os cinco processos por improbidade administrativa referem-se ao suposto repasse de dinheiro público a parlamentares, em troca de votos favoráveis ao governo Lula no Congresso. Cada ação refere-se a um partido (PT, PMDB, PP, PR e PTB).

José Genoino é réu por corrupção ativa e formação de quadrilha, na esfera criminal, e cinco vezes por improbidade administrativa, na esfera cível. “Eu encontro boa recepção dos eleitores nas ruas. Sou candidato em São Paulo, trabalho para todas as candidaturas do PT e estou confiante na vitória nacional”, afirma o deputado.

Genoino diz não ter escondido de seu material de campanha que foi presidente nacional do PT, durante o escândalo do mensalão — as denúncias surgiram em 2005. “Nunca passei nenhum centavo para ninguém. Nem recebi nem paguei nem era deputado na época.”

Segundo o parlamentar, os dois empréstimos feitos pelo PT quando era presidente do partido — um de R$ 2 milhões e outro de R$ 3 milhões — são públicos e estão sendo pagos pela legenda.

“Esses cinco processos por improbidade são um absurdo, uma exorbitância do Ministério Público. Eu nem era agente público na época.”

O deputado diz que seu patrimônio é o mesmo desde 1985 e que sua única fonte de renda é o salário pago pela Câmara. Agora, na campanha pela reeleição, afirma estar com a “consciência tranquila” e que, nas ruas, pede votos para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

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