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Correio Braziliense

Cantores tentam a sorte nas urnas

Do brega ao sertanejo, eles contam com os fãs para conseguir uma vaga no Legislativo


postado em 02/08/2010 08:59

A proibição da contratação de shows em atividades políticas não foi suficiente para afastar os artistas da campanha eleitoral. Vários deles participam das eleições deste ano, pedindo votos. Mas para eles próprios. Em 2006, foram eleitos para a Câmara dos Deputados dois nomes do meio artístico, ambos por São Paulo: o estilista Clodovil Hernandez (morto em 2009) e o cantor de forró Frank Aguiar. Nas eleições deste ano, o número de candidatos desta área é muito maior e, se todos tiverem sucesso nas urnas, uma verdadeira “bancada da música” poderá ser formada no Legislativo. Eles negam que a intenção seja apenas aproveitar da popularidade para conquistar mandatos e garantem que têm propostas para trabalhar em defesa dos cidadãos.

Frank Aguiar (PTB), depois de ser eleito vice-prefeito de São Bernardo do Campo, decidiu tentar novamente uma vaga de deputado federal por São Paulo, onde tem na condição de concorrentes ao mesmo cargo os cantores Tiririca (PR), Aguinaldo Timóteo (PT), que já é vereador na capital paulista, e Kiko, do Grupo KLB, candidato pelo DEM. Ele faz dobradinha com o irmão Leandro, da mesma banda, que concorre a deputado estadual. Ainda em São Paulo, o cantor Netinho de Paula (PCdoB) disputa uma vaga para o Senado. Outro artista conhecido que resolveu entrar na política é Reginaldo Rossi, o “rei do brega”, que concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

Desistência
Na relação dos candidatos a deputado federal em Minas, divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), aparecem três cantores: Sérgio Reis (PR), Mangabinha (PMN), que integrou o grupo sertanejo Trio Parada Dura; e Edimilson Batista (PTdoB). No entanto, o mais conhecido dos três, Sérgio Reis, em entrevista ao Correio/Estado de Minas, na última sexta-feira, anunciou a desistência da candidatura. Ele justificou apenas que foi obrigado “por motivos internos do partido (o PR)”, sem entrar em detalhes. Natural de São Paulo, o cantor disse que havia se lançado candidato por Minas Gerais porque considera este como seu estado.

Confiança
Já Mangabinha — cujo nome na carteira de identidade é Carlos Alberto Mangabinha Ribeiro — disse que está firme na campanha e que espera ser eleito, confiando no público que aprecia a música sertaneja. Aos 65 anos — 45 de carreira — Mangabinha tem 14 discos de ouro e 3 discos de platina, tendo vendida a maioria deles quando liderava o Trio Parada Dura, nas décadas de 1970 e 1980. Ele é natural de Corinto, na Região Central do estado. No auge da carreira, morou em São Paulo. Há algum tempo, retornou a Minas, onde passa a maior parte do tempo num sítio próximo da região onde nasceu. “Sou candidato a deputado federal para defender os aposentados, o pessoal da terceira idade. Viajo o Brasil inteiro fazendo shows e, por onde ando, deparo com muito sofrimento. Vejo muitos velhinhos que, depois de lutar a vida inteira, não têm mais nenhuma oportunidade. Quero mudar esta situação”, destaca o artista-candidato.

Na disputa dos votos dos sertanejos, o ex-integrante do Trio Parada Dura tem como concorrente o cantor de forró Edimilson Batista (PTdoB), que se tornou muito conhecido depois de animar — com o auxílio de um teclado — festas populares no Norte de Minas, onde concentra sua campanha. Edimilson nasceu em São Francisco e, atualmente, mora em Montes Claros. Na última sexta-feira, a reportagem do Correio tentou, mas não conseguiu contato com o músico forrozeiro. A informação na casa de Edimilson Batista foi que ele estava em viagem para shows no interior da Bahia.

As promessas deles

Os cantores/candidatos afastam qualquer conotação de que querem simplesmente aproveitar a condição de conhecidos do público para se elegerem ou desejam aproveitar da política para impulsionar suas carreiras. “Pode ser que algum gaiato se aventure na política. Mas, para ser eleito mesmo é preciso ter uma visão social, origem e uma preocupação política”, afirma Aguinaldo Timóteo, de 74 anos, mineiro de Caratinga, que, além de mais de 40 anos de carreira artística, também já acumula uma larga experiência na política. Desde 2004, é vereador em São Paulo, onde agora é candidato a deputado federal pelo PT.

Timóteo condena qualquer tipo de preconceito em relação à disputa do voto por integrantes do meio artístico. “Nós, artistas, somos pessoas absolutamente comuns, que também têm desejos e necessidades. A única diferença é que demonstramos talento quando subimos no palco”, diz o cantor/político, que reclama de discriminação por parte da mídia.

Outro que afirma que tem uma proposta de trabalho é o cantor Reginaldo Rossi (PDT), candidato a deputado estadual em Pernambuco, seu estado natal. Ele anuncia que sua meta é atuar nas áreas de educação e cultura.“Eu sempre quis ser mais útil à sociedade e agora tenho mais tempo para isso”, diz. Aos 65 anos de idade — e 46 de carreira o rei do brega afirma que, “desde que se entende por gente”, sempre teve vocação para o trabalho social. “No meu show, por exemplo, de maneira ‘cultural’, falo muito com a molecada sobre a prevenção das drogas”, conta. Lembra ainda que antes de entrar para a carreira artística, deu aulas de matemática e física no Recife e trabalhou com jovens.

O cantor, ator e ex-palhaço Titirica — cujo nome de batismo é Francisco Everardo Oliveira Silva — usa uma adaptação da música “Florentina”, que o tornou conhecido, para embalar sua campanha a deputado federal por São Paulo. Filiado ao PR, Titirica, de acordo com o seu site de campanha, tem como proposta defender as pessoas menos favorecidas. Para isso, lembra a sua própria trajetória de vida como oriundo de uma família pobre de Itapipoca, no interior do Ceará. De acordo com assessoria do artista, ele suspendeu a agenda de shows para se dedicar à campanha, concentrando o pedido de votos no corpo a corpo.

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