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Correio Braziliense

Armistício entre PT e PSB no Nordeste

Partidos selam acordo para evitar que indicações de ministros e cargos no primeiro escalão tenham atuação ligada a um ou outro estado "padrinho". A promessa é de ação pela região


postado em 03/12/2010 09:56 / atualizado em 03/12/2010 10:43

Escaldados com o que sentiram da gestão do Ministério da Integração Nacional nos últimos anos, os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos; de Sergipe, Marcelo Déda; da Bahia, Jaques Wagner; e ainda o senador eleito do Piauí, Wellington Dias (PT), chegaram a um acordo de cavalheiros sobre as indicações dos cargos que mais interessam à região e selaram um tratado de paz entre PT e PSB: quem indicar, por exemplo, o ministro da Integração Nacional, terá que ter em mente a necessidade de atender a todos os estados, e não apenas àquele responsável pelo apadrinhamento do ministro. “A questão central para nós será a política para a região. É claro que a gente se sente mais confortável com alguém mais próximo, mas não se trata de “personograma”. O meu, por exemplo, não adiantou de nada”, comentou o governador da Bahia, referindo-se ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, um nome que contou com a sua bênção e, depois, virou seu adversário no estado.

A reunião foi convocada de última hora. O local escolhido foi a representação do governo de Sergipe em Brasília, justamente para não chamar a atenção dos jornalistas. Em volta de uma mesa, os quatro degustaram um bacalhau e, depois, num papel sobre um cavalete daqueles usados em palestras, listaram os principais ministérios de interesse do Nordeste: Integração Nacional, Desenvolvimento Agrário e, ainda, Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Além dos postos de primeiro escalão, elencaram os cargos regionais do Ministério da Integração Nacional — Banco do Nordeste, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e ainda, Centrais Hidrelétricas do São Francisco (Chesf). Não estava escrito o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), que também faz parte.

Armistício
O encontro foi combinado justamente para acabar com as disputas diretas por cargos entre eles e ainda para que, juntos, posam contrapor o peso do PMDB, que nos últimos dias pressionou para continuar na Integração. O PT do Nordeste tem reivindicado a pasta porque considera que há paulistas demais na equipe da presidente eleita. O PSB, que já perdeu Ciência e Tecnologia para o PT paulista — o nome cotado é o de Aloizio Mercadante — e tem quatro governadores no Nordeste, também reivindica a Integração. A tendência de Dilma é lhe conferir esse espaço. Os dois petistas saíram do encontro cientes de que, mesmo que o PSB indique o ministro, ele não estará apenas a serviço de Eduardo Campos, como Geddel, na avaliação deles, ficou a serviço do PMDB.

Não está descartado, por exemplo, que o PT do Nordeste passe a reivindicar agora o Ministério de Desenvolvimento Social, onde Dilma inicialmente pretende manter a atual ministra Márcia Lopes, irmã de Gilberto Carvalho, tido como nome certo na Secretaria Geral da Presidência da República. E dos três ministérios, o de Desenvolvimento Social é o de maior Orçamento, R$ 41,9 bilhões no ano que vem. A Integração terá R$ 4,2 bilhões e o Desenvolvimento Agrário, R$ 4,3 bilhões. São menores, mas, ainda assim, orçamentos para ninguém botar defeito.

Gerdau descarta ministério
» Leandro Kleber Especial para o Correio

Ao contrário do que se especulava, o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau, não foi convidado e não irá assumir qualquer ministério no governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Nos últimos dias, falou-se que o representante de uma das maiores empresas do país, amigo do presidente Lula, poderia ser ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Dilma. “Não fui convidado e não assumirei ministério”, afirmou ontem, depois de reunião de pouco mais de 30 minutos com a petista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição.

Quando foi eleito, Lula também chamou Gerdau para participar do governo, mas à época o empresário alegou “conflito de interesses”. Agora, segundo ele, Dilma Rousseff o convidou para montar um núcleo de gestão para desenvolver medidas voltadas para melhoria da competitividade e tecnologia, principalmente na área de administração pública. A ideia é não substituir o conselhão, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) — criado por Lula — mas sim atuar como uma espécie de colegiado consultivo.

O empresário também aproveitou o encontro para elogiar a presidente eleita. “Ela é uma gestora sólida e firme e é uma entusiasta de fazer as coisas continuarem se aprimorando”, comentou. Gerdau, no entanto, também avalia que é preciso melhorar o desempenho da administração pública. “É necessário aprimorar a gestão em áreas como saúde e educação. A preocupação é maximizar a qualidade dos serviços oferecidos. No mundo de hoje, tudo precisa ser aprimorado, todos os dias”, disse.

Doações
Os laços políticos da Gerdau também rendem um bom dinheiro para candidatos a cargos públicos. O grupo financia campanhas eleitorais de deputados estaduais, federais, senadores e presidentes de diferentes partidos. No pleito de 2010, a empresa doou cerca de R$ 34 milhões, quase tudo repassado por solicitação eletrônica. Para a então candidata petista Dilma Rousseff, a companhia doou R$ 1,5 milhão, um dos maiores valores registrados.

Por e-mail, o Grupo Gerdau informou que “como empresa cidadã, acredita que deve participar da vida econômica e política do país, de forma a colaborar com a democracia e o estado de direito”. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, a siderúrgica orienta as doações sempre seguindo rigorosamente a legislação eleitoral brasileira. “A transparência das doações da Companhia e respectivos beneficiados é assegurada pelo Tribunal Superior Eleitoral, que disponibiliza as informações, atualizando-as periodicamente em seu website aberto ao público”, conclui.

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