Politica

Guerra cambial e juros são grandes desafios para o Brasil, diz Pimentel

postado em 03/01/2011 13:28
Brasília ; O combate à guerra cambial, a redução das taxas de juros, a elevação dos investimentos em infraestrutura e a diminuição da carga tributária são os principais gargalos que o Brasil terá de superar para ampliar as exportações e se desenvolver. Os desafios foram apontados pelo novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que tomou posse no final da manhã.

Para Pimentel, o país precisa investir em inovação e continuar a melhorar a competitividade para se desenvolver. ;A indústria, para se desenvolver mesmo no Brasil, precisa ser competitiva internacionalmente. Inovação, internacionalização, investimentos, parcerias, todos são ingredientes do país que almejamos;, disse o novo ministro.

Na avaliação do ministro, a queda dos juros depende da contenção dos gastos públicos, medida prometida pela presidenta Dilma Rousseff. ;As taxas de juros ainda não estão em níveis desejáveis e sua necessária redução exigirá um esforço de disciplina fiscal ; uma tarefa de delicada engenharia econômica e política;, comentou Pimentel no discurso de posse.

Ele afirmou ainda que o Brasil buscará a conclusão da Rodada Doha e exercerá papel central na retomada das negociações comerciais na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Pimentel, o país não hesitará em fazer uso de mecanismos de defesa comercial, quando forem cabíveis.

No discurso de despedida, o ex-ministro Miguel Jorge destacou a elaboração da política industrial, lançada em 2008, como uma das grandes conquistas de sua gestão. ;A PDP [Política de Desenvolvimento Produtivo] resgatou a capacidade de o Estado operar ações e instrumentos para coordenar o desenvolvimento;, afirmou.

Segundo Miguel Jorge, das 425 medidas da política industrial, 99% estão em operação. Ele, no entanto, admitiu que somente uma das quatro metas foi cumprida: a de elevar a participação das exportações brasileiras para 1,25% das exportações mundiais. Em 2009, disse ele, a participação atingiu 1,26% e deve fechar 2010 em 1,3%.

O ex-ministro ressaltou ainda a agilidade dos processos de defesa comercial. De acordo com ele, a média das investigações dos processos antidumping caiu de cerca de três anos, em 2003, para dez meses. ;O Brasil só ficou atrás da Índia na abertura de processos de investigação comercial;, declarou. Na gestão dele, o Brasil abriu 97 processos, dos quais 62 resultaram em aplicação de medidas de defesa comercial.

Miguel Jorge ressaltou ainda que, no período em que esteve à frente da pasta, o Brasil bateu recorde de exportações, que fecharam 2010 em US$ 201,9 bilhões, o maior nível da história. O ex-ministro relembrou as 21 missões empresariais realizadas nos últimos quatro anos, cada uma com cerca de 100 empresários. ;Essas missões ajudaram o Brasil a ampliar o comércio com países fora das economias centrais.;

O ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção às Exportações (Apex-Brasil) Alessandro Teixeira também tomou posse como novo secretário executivo do ministério. Ele sucede Ivan Ramalho, que ocupou o cargo nos últimos quatro anos.

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