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Estado de Minas

Perfil - Pedro Abramovay

Antes da declaração na contramão do Executivo, frase em suposto grampo %u201Ctraumatizou%u201D advogado


postado em 22/01/2011 08:30

Sério, menino prodígio, boa gente. A lista de adjetivos que os amigos do ex-titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) lançam para descrever Pedro Abramovay desmente a imagem da autoridade que defendeu, num momento de descompasso com o governo federal que representava, o fim da prisão para pequenos traficantes. Do movimento estudantil XI de Agosto, nos tempos em que estudava na Universidade de São Paulo, à indicação para a Senad, a vida de Abramovay transcorreu entre passos profissionais bem medidos, entremeados por livros de direito, de poesia contemporânea e um samba ou outro nas rodas de Brasília, para relaxar.

As declarações em entrevista ao jornal O Globo, que chegaram a causar indisposição até entre integrantes da cúpula da Polícia Federal, que enxergavam um certo “simplismo” na opinião do secretário, marcaram a segunda grande exposição negativa do advogado na mídia. Antes disso, dizia-se traumatizado por uma revista ter atribuído a ele declaração registrada em suposto grampo. Abramovay e seu pai divulgaram nota de repúdio contra a acusação de o ex-secretário ter reclamado que estava cansado de ser cobrado pelo governo para elaborar dossiês contra integrantes da oposição.

Aos 30 anos, o advogado foi ministro da Justiça duas vezes e está no segundo casamento. A moça que teria feito Abramovay “sossegar” é Carolina Haber, assessora de assuntos jurídicos da Casa Civil. Desde que chegou ao Ministério da Justiça, em 2004, para assessorar Márcio Thomaz Bastos, o talento jurídico de Pedro — herdado do pai, Ricardo Abramovay, professor da USP e amigo do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante — inspirava confiança. Em suas viagens internacionais, o ex-ministro Tarso Genro passava o bastão para Pedro, fazendo dele o ministro mais jovem a assumir a Justiça.

Da assessoria de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo aos tempos no gabinete de Mercadante no Senado, Abramovay aprendeu a dar nó em gravata, limitação ressaltada pelos colegas, e deixou de ser o “rapaz do Ministério da Justiça” para compor o segundo escalão do governo Dilma Rousseff. Na capital, conservou o hobby que o acompanha desde a faculdade: escrever poesia. Paulo Leminski e Augusto Campos são os poetas inspiradores. “Ele é um bom poeta”, elogia o amigo Paulo Rogério Ferraz, que fundou com Abramovay o selo Sebastião Grifo e a revista Sebastião. “Ele é sério e disciplinado, sempre consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo”, afirma Ferraz. Exerceu a veia literária publicando pelo Sebastião Grifo o livro Ver só, mas parou nele.

O menino de ouro do Ministério da Justiça sempre foi o queridinho da Esplanada. O perfil amigável funcionava como elemento agregador do primeiro e do segundo escalão. Em casa no governo petista, partido que sempre adorou desde a militância estudantil, o ex-secretário ajudava a organizar encontros judaicos da cúpula governamental que também professavam a religião.

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