Politica

Onde política é coisa de homem, oito prefeitas mostram a força das mulheres

Luiz Ribeiro/Estado de Minas - Enviado especial
postado em 20/02/2011 10:26
;Não tem mais jeito. ;Rosacearam; o sertão de Minas;. O diagnóstico é de Antônio José Maria, 67 anos, morador da pacata Joaquim Felício, no interior de Minas Gerais, diante de uma realidade que desafia a tradição e as imagens de sua terra. Conhecida como lugar de homens bravos, histórias de pistolagem e natureza ocre, ressequida pelo sol, a região imortalizada nos livros de Guimarães Rosa assiste a um colorir de suas paisagens. Ali e em mais sete cidades do sertão mineiro, que envolve a região norte do estado e parte da central, quem manda são elas. Ao longo dos mandatos, deixam de lado o título masculinizado de ;damas de ferro; e escancaram a feminilidade no poder.

Na cidade da prefeita Eliana Colen (PMDB) tudo é cor-de-rosa, da sede da prefeitura aos ônibus escolaresEm terras marcadas por encarniçadas disputas políticas entre homens de arma na cintura, nas últimas eleições municipais, as mulheres conseguiram dobrar sua presença no sertão mineiro. Enquanto tomaram posse em quatro prefeituras em 2005, assumiram oito em 2009. Pioneiras, as prefeitas se reuniram no início do mandato para criar estratégias de ampliação do espaço feminino. Apesar do incentivo a outras mulheres, elas destacam que a escolha pela carreira política não é fácil. Maria das Dores Duarte (PMDB), prefeita de Claro dos Poções, na Região Norte, lembra que custou a se livrar do estereótipo de ;mulher mandada;.

Poder de desafiar e decidir mostrou a prefeita Eliana Colen (PMDB), de Joaquim Felício, na região central. Lá, até mesmo os adversários não podem negar que a chegada de uma mulher ao comando deu um colorido especial ao município. Lá, administração pública virou sinônimo da cor rosa: prefeitura, conselho tutelar, ônibus escolar, escolas e até o estádio de futebol, tradicional reduto masculino, foram pintados de todas as tonalidades possíveis do rosa. A cor preferida da prefeita tornou-se uma marca da cidade, mas, como se pode esperar, não é consenso entre os moradores.

;A gente acabou se acostumando. Preferia que fosse de outra cor. Mas o que se há de fazer? Cada um tem o seu gosto e elas chegaram ao poder. É a vez delas de escolher;, diz o aposentado Antônio, que passa os dias a papear na principal praça da cidade, em frente à prefeitura, e se lembra dos tempos em que era inimaginável ver uma mulher na prefeitura. ;Nessas terras, política era coisa de homem. Tudo era decidido na base dos dois canos grossos de uma arma. Os tempos mudaram, mas ainda é ousadia pintar uma cidade inteira de rosa.;

Se ver uma mulher chegar ao comando de uma prefeitura no sertão mineiro ainda é raro, ter duas representantes nos postos mais altos do Executivo é simplesmente inédito. O pioneirismo ficou por conta de Ibiaí, município de 7,6 mil habitantes na região norte de Minas, onde a dentista Marinilza Fonseca Mota (PSDB) e a professora Maria Santana (PSDB) ocupam, respectivamente, os cargos de prefeita e vice-prefeita. A eleição das duas em 2008 quebrou uma regra que valia desde 1962, quando o município foi emancipado, de ter em seu comando apenas homens. ;É difícil duas mulheres chegarem a uma prefeitura, mas rompemos isso;, comemora Maria Santana.

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